Domingo, Novembro 08, 2009

Fim
Por onde passaste tu que me deixaste cá dentro.

Segunda-feira, Maio 11, 2009

"O teu amor, quando palpita
verdade seja dita
põe rastilho no meu peito
Trinta batidas num só beijo sem defeito"

Aqui

Quarta-feira, Março 18, 2009

Animal Collective em Sung tongs



Como esta música me põe bem disposta e cheia de esperança

Segunda-feira, Março 16, 2009

Achados..


Entretanto já não vem a tempo mas sabe bem.

O primeiro natal na minha casa nova. Um bambu e umas luzes indianas faziam de jardim encantado na nossa sala.
(é de notar que foi a primeira e ultima vez que as luzes funcionaram. daí a importância histórica da foto...)

Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

hoje apetece-me ir namorar. pegar em nós e ir por ai andando. o clima de bruma e indefinição, faz me sentir mais perto de ti.

Terça-feira, Dezembro 16, 2008

Resquícios de Marrocos (por ordem inversa...)


Mercado de azeitonas em Casablanca

Eu a fazer de padrão de azulejo

Mesquita brutal em Casablanca

El Jadida -Fortaleza Portuguesa

El Jadida - Cisterna Portuguesa

Ao longo da costa Atlântica

Praia deserta a Sul de Essaouira

Essaouira eólica

Frequente: os camiões deixarem cair a carga

Anoitecer na medina de Marrakech

Sumos de laranja na medina de Marrakech


Nosso Dacia a patinar no Atlas

Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Nova vida à espera de ser registada

- Já moro na minha casa do castelo
- Aceitam-se doações para uma mesa de jantar, um fogão sem fuga e um acesso à internet
- Tou no 5º e último ano do mestrado
- Consegui uma bolsa de investigação para fazer a minha tese
- O meu local de trabalho passou a ser o laboratório de fotovoltaica da FCUL só porque não há outro sítio para me porem
- A minha tese baseia-se na reabilitação energética do C1 (edifício da FCUL)
- O meu orientador é Suiço fixe e parece estar tão (des)orientado como eu
- Ando a planear a minha próxima viagem em Fevereiro algures à Argentina ou África se faltar orçamento
- Quero ir visitar a Catarina a Copenhaga
- Preciso de férias já que passei mais uma vez o verão a trabalhar e aproxima-se um ano sem paragens
- Mas acima de tudo estou feliz com as minhas novas condições

Sexta-feira, Julho 11, 2008

Hoje recordei tantas fases da minha vida com a banalidade de quem houve músicas que em algum momento me disseram tanto. E essa retrospectiva começa sempre a partir deste blog. Do que aqui fui postando, com música ou com letras, ou estórias que remetiam para músicas, ou para letras.

"Eu são tão bom de amar"

hoje estou com tendência para desmontar a simplicidade e torná-la complexa. Em voltar a sentir-me pequenina em relação ao mundo.
Com tendência para questionar o passado, o que leva ao presente e aii que já estou confusa. Mas isso passa. talvez tenha sido o céu cinzento que rodeia o topo dos prédios. Ou estas músicas. Ou a perfeição dos outros. E estar-me a sentir a mais.
Dou nisto quando me sinto sozinha.

A minha casa no Castelo está quase pronta.

Terça-feira, Junho 03, 2008

Num quarto esquerdo de Lisboa

Ainda hoje é terça e já me parece quinta feira. À espera que amanhã seja o dia de te ver outra vez.

Ando pelas ruas de Lisboa. Esta minha nova casa. O céu, esse, anda como eu. No outro dia olhei-o de frente e tinha tantas cores tão fortes, tantas nuvens tão monstruosas, tantas incertezas do próximo passo.

Gosto tanto de estar por aqui. De repente a minha vida passou a ter mais horas. Mais horas que se gastam em cafés, a andar a pé, a cozinhar, a aspirar a casa. A sentar-me no sofá num fim de tarde a ouvir música. A dormir de manhã. A fazer o meu tupperware para o almoço.

Vivemos no presente. Nós construi-mo-nos no dia-a-dia. E é dele que às vezes tenho saudades. De te ver de manhã, à noite, ou ao almoço. De te ver, e tu me veres, sem virmos cansados do trabalho e poder-mos usufruir o presente, o nosso espaço conjunto. O nosso espaço com outras pessoas. O nós e o mundo. Ou só nós.

Às vezes tenho medo do meu futuro e como isso poderia modificar-nos. Depois penso que já vivemos sobre tantos cenários que mais um não será nenhuma fatalidade. Será um degrauzinho para nos adaptarmos.

É como um loop. Todas as sextas é como te visse outra vez pela primeira vez. Apenas o abraço que damos é mais demorado.

Terça-feira, Abril 01, 2008

Lince da Malcata no Deserto do Rajastão



O especialista Maracaté Fubini fala-nos do lince da malcata

Autocarros indianos

Nesta altura ainda estava vazio...

Sábado, Março 15, 2008

Vista do forte de Jaisalmer, no Rajastão

Terça-feira, Março 11, 2008

Forte de Jodhpur, em Directo

Quarta-feira, Março 05, 2008

Elefante do Qátar



Deambulação algo parva (muitas se seguirão...) em Pushkar no Rajastão

Nota: As bicicletas indianas são bastante difíceis de governar, eu nao costumo andar literalmente aos "ésses" hihihi

Índia, um balanço telegráfico

Terça-feira, Março 04, 2008

Foto Reportagem Indiana

A vista do terraço do nosso hotel em Delhi


Palácio do Governo em Delhi

A preparar a viagem no rooftop do nosso hotel em Delhi

Rickshaw de pedais em Siliguri em West Bengal
Em Siliguri a olhar para o autocarro que nos levaria para Darjeeling


Aldeias à beira da estrada himalaiana que vai para Darjeeling

Primeiro dia de trekking: apanhámos de manhãzinha um shared taxi em Darjeeling, com um checo que também viria no trekking, para a vila onde começaríamos a caminhada pelos grandes Himalaias

E o trekking começou lá em baaaiiiiiixxxooooo

Mosteiro Budista após uma hora de caminhada.

Neste ponto do caminho pensávamos estar no topo do mundo. Não sabíamos mesmo o que esperar o resto do trekking..

Bandeiras de comemoração do Ano Novo budista que foi dia 7 de Fevereiro enquanto estivemos lá

Primeira paragem para tomar chá: nesta zona as feições já são muito nepalesas e tibetanas

Começava a ficar puxadinho


A avistar casas depois de uma longa caminhada

Almoço no meio da montanha

Caminhos inimagináveis, perdidos no meio dos Himalaias e por vezes lá passavam uns jipes com 50 anos e 20pessoas mais 3 toneladas de carga sempre em 1ºvelocidade..

Perdido no meio do nevoeiro de montanha numas casas desertas cá estava este pastor sem vacas

Chegados ao abrigo de montanha no Nepal, toca a beber chai

O abrigo (dos mais luxuosos da zona) de chapa de zinco, onde passei a noite mais fria da minha vida


Eu e o Pemba : eu estupificada com a vista , ele à espera que parássemos de dizer onomatopeias de espanto.. E já começava a ficar friozinho..

Em Tonglu (3010m altitude) a admirar o Kanchenzonga
Já na descida, um almoçozinho confeccionado pelo nosso guia, Pemba!
Praça movimentada onde se apanha os shared taxi para todo o lado.

Templo Budista em Darjeeling


Na compra de cházinho de Darjeeling!!
Neste momento tínhamos acabado de sobreviver ao atalho/caminho de cabras a descer de Darjeeling para o sopé dos Himalaias versão fórmula 1 num jipe de 10pessoas com 15.


A viagem Delhi - Jodhpur: Autocarro "Sleeper deluxe" (leia-se: compartimento que só se cabe deitado, tem de se entrar ja de pés ou de cabeça, em que os vidros não fecham e a buzina foclórica nunca pára de tocar. 15horas assim...)

Chegada a Jodhpur: o paraíso pós-viagem e forte de Merenghar
Nas leituras antes de comer e a planear o dia

Rickshaws foclóricos


Contrastes

Jodhpur - Blue city

Jodhpur por entre o rendilhado do Forte


Carilll!!! Esfomeados depois da visita ao forte

Mercado dos vegetais perto da Clock Tower

Miúdos a fazer pose

Movimento numa rua de Jodhpur

Forte e cidade de Jaisalmer (100km do Paquistão)

Começa o safari de camelo pelo deserto do Rajastão.. mas de papéis invertidos

Não estás muito convencido..

A carregar lenha para o jantar no deserto

Sand dunes no Rajastão

Os nossos guias a fazer o jantar no deserto, onde ficámos a dormir ao relento.

Amanhecer no deserto


De regresso a Jaisalmer

Pushkar: cidade santa (puramente vegetariana e ai de demonstrar algum carinho em público!)


Um cortezinho de cabelo à indiano



Pequenos almoços deliciosos: muesli, fruta, curd e mel



Anoitecer em Pushkar

Jaipur - Pink City

Décima quinta refeição no Shatabi Jaipur- Delhi

Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

Estou de férias!


Agora é esperar uma semana e Índia connosco.

Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

Le chant des partisans!



Nada melhor que Motivés para esta época de exames...

Quarta-feira, Janeiro 02, 2008

Rewind 2007

E num tom banal e de balanços de 2007 ficam algumas coisas. Foi um ano...

- em que Portugal deu um passo à frente nos direitos das Mulheres.
no dia 11 de Fevereiro ouvimos o SIM à despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.
- também neste dia conheci-te. conhecemo-nos. No meio do êxtase desta vitória, encontraste-me na rua a agitar bandeiras


e a partir daqui encaixei-te na minha vida.

- o ano em que despertei para a política e entrei para o Bloco

- em que organizá-mos o MAYDAY


- em que cozinhámos muito "Cáril" em tua casa

- em que me iniciaste no surf

- em que descobri as curas de sono da Verdizela

- em que fomos a Praga

- em que para além de estudar, trabalhei o ano todo

- em que eu voltei a ligar-me à vela e a fazer viagens de barco

- em que eu desaprendi de dormir sozinha

- em que me licenciei e finalmente dei um novo rumo ao meu futuro e fui para a área das energias!

Basicamente a vida tornou-se diferente e eu gostei. Muito.

2008 chegou e aproxima-se repleto de exames.

A Índia começa dentro de 1 mês. Contigo.

Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

Escrita lenta

Este blogue morre lentamente.
(A Diana passou a ter vida para além dos textos melancólicos que aqui postava!)
Não tenho ideias para escrever. Não tenho tempo para escrever. E quando escrevo, escapa-se-me a imaginação que restava e acabo a relatar as coisas boas que me acontecem.

Por outro lado muitas vezes tenho vontade de escrever textos "indignados"... mas não se adequam ao traço inicial deste blog.
Bem se me quiserem continuar a seguir, embora noutros caminhos.... eis as pistas:
- escrevo regularmente no blog http://muda.co.nr/
- 6f sim 6f não também me encontram em http://www.ecoblogue.net/

E pronto. Estou a viver do lado de fora.

Sábado, Dezembro 01, 2007

Passeio pela beira rio da expo. Levo um cachecol quentinho e o jornal. E assim ando. Ando muito. Faço o passeio marítimo várias vezes. Numa tarde perdida algures enquanto tantas vidas pendulares fazem o seu percurso.
É uma tarde fria. Cruzo-me com muito poucas pessoas.
Encontro um jardim com instrumentos musicais. Participo activamente a preencher aquela tarde de sons, num lugar onde só o teleférico e o chapinhar da água se ouve. E sorrio.
Espero por ti. Sem pressa.
Anoitece.
Por estranho que possa parecer, estes momentos limpam-me. Penso pouco.
São momentos, bizarros, que existem porque tu existes. E eu não me importo.
Até gosto.

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Sol em dias de inverno

Qualquer tipo de adoração ao sol nesta altura é bem vinda...


Quinta-feira, Outubro 25, 2007

Desencontros

Hoje ao fim da tarde, aviões da guerra passaram por cima de mim. Deviam ir reabastecer para continuar os ataques.
A cidade já se habituou a ouvi-los sem hora marcada. Poucos somos já, os que olham para o céu quando ouvimos aquele som tão arrepiante de um avião rasante.
Num intervalo de segundos ouvimos os seus objectivos cumpridos: explosões dentro e fora da própria cidade. Sentimos a terra e o coração tremer. Umas vezes o som demora menos tempo a propagar-se até nós. Vejo pessoas a correr, limpo a cara dos pedaços de almas e de pó.

Fogos ao longe. Recolher obrigatório. Para aqueles que ainda têm onde recolher.
As universidades vão despedaçando-as aos bocados. Querem reduzir o poder de pensar ao mínimo para que as ordens sejam mais fáceis de cumprir e não serem questionadas.

Eu tenho a felicidade de viver nesta cidade. Tenho a infelicidade de a ver ser destruída todos os dias um pouco mais. De viver prisioneira da instabilidade que a assombra.
Aqui as pessoas desaparecem sem ninguém poder perguntar por elas.
Aqui as pessoas foram destituídas das suas vidas. Passam-se os dias a tentar arranjar a nossa sobrevivência, coisas que o mundo ocidental está muito bem habituado: comida, electricidade, medicamentos, água potável.

A liberdade fica pelo pensamento e pelos postais. Cercam-nos os espaços físicos, fazem-nos modelar o discurso, fecham-nos do mundo.
Porque pensam eles que têm que exercer a justiça (tão desajustada) no mundo? Seremos nós cenário amorfo sem capacidade de gerir o nosso país?


O que nos fez chegar a este ponto?
Como é que o sistema mundial pode ser tão egoísta e só visar o interesse capitalista, e em nome disso praticarem-se as maiores barbaridades?
Desde quando passámos a ser tão indiferentes e alienados da realidade?
A ter tanta desmotivação e aversão à política?

Pois é, somos muito mais felizes na nossa estúpida ignorância. Tudo o que está para além do que nos afecta directamente, não é connosco. E mesmo no que nos afecta, não lutamos para mudar as coisas. Incutem-os que a política é para ser feita pelos senhores de gravata e que eles sim têm aptidão para decidir o nosso futuro, que estranhamente não coincide com o deles.
Baixamos a cabeça e comemos.


Mas afinal, quando é desaprende-mos de sermos o motor contestatário da sociedade?
De nos entre ajudar-mos?
De lutarmos pelos nossos direitos?
De acreditar que podemos contribuir para que a mudança seja para melhor?


Este texto veio inspirado do mundo em que vivemos.

Sábado, Outubro 13, 2007

Passou.
Minuto a minuto.
Contados pela quantidade de tempo útil que me ocupaste o pensamento.
Talvez por os lugares em que nos criámos terem acidentalmente esbarrado comigo vezes demais.
Talvez por chegares amanhã que sinto o coração na boca.
E as poucas horas que separam o nosso encontro parecerem mais que todas as horas juntas dos dias da tua ausência.

Sexta-feira, Setembro 28, 2007

Dei-te o meu protector solar para os lábios.
Trocámos livros.
Assim o tempo passa mais rápido.

Sexta-feira, Setembro 14, 2007

A propósito de ouvir Mazurcas no meio de Barcelona...

Ouvir mazurca nesta praça que se começa a pôr deserta e cheia de sombras.
Vem! Ninguém vê! um-dois-três-um-dois-três-um-dois-três... Não tem mal que me pises, eu também não sei dançar isto. Só o teu cheiro e a nossa descontracção de dançar como nos apetecer, já me leva a dançar pelo mundo.
Rimo-nos. Rimos sempre tanto, entre sorrisos, entre gestos, entre olhares.
Não tem mal que me tenha que pôr em bicos de pés para te beijar.
A música somos nós que a fazemos com os pés a pisar este granito ancestral.
E o vento começou a abanar as árvores e os remoinhos de folhas caídas íam passando por nós. E já não sei se o tempo dilatava ou contraía. Sei que os slides continuavam a passar com aquele som tão característico e começámos a desenhar nas paredes caiadas. Fazemos traços, cruza-mo-nos, atiramos desenfreadamente tinta para a parede, colorimos espaços em branco e às tantas já não sabemos onde começámos mas percebemos que vamos continuar a pintar sem ver o fim.

Apontamentos em Barcelona

"E esta seria só mais uma razão para me lembrar de ti e recordar-te em palavras, quando todos os dias me deste a mão nesta viagem."

Descobria a cidade na espontaneidade das horas, arrastando descontraidamente os pés pelo chão. Destestas que eu faça isso.
Fileiras e fileiras de ruas ordenadas eximiamente. Prédios muito estreitos, flores, varandas, estores de palha apoiados nas bordas metálicas das varandas. Descrevo-te o que já conheces.
Muitas vezes fizemos as mesmas viagens só que transladadas no tempo. Tantas cidades, com a mesma vontade de conhecê-las visceralmente.
A música saía duma janela escura e as vozes e a luz da janela ao lado.
Os prédios nesta zona velha são altos. Eu, observo-os de baixo. Consigo vislumbrar um candeeiro, um tecto mexicano. Os aromas, esses não dependem da altura a que estão. São trazidos até nós pela velocidade da cidade. Esta, nunca pára. Fiesta! é quase sempre a primeira palavra que qualquer bife aprende quando cá chega.
Por exemplo, agora escrevo sentada nas escadas em frente à catedral velha, em que o burburinho de gente, movimento, viajantes, excursões, transeuntes se vão confundindo à minha volta. E é fácil isolar-me aqui neste mesmo degrau porque tenho tanta coisa para contar. Ou melhor, para sentir contigo.

Pensava.
Tantos sítios que me enamoram, lugares perdidos, ou encontrados nalguma cidade banal. Imagino estas vidas, vividas aqui dentro destas casas, destas cidades, desses lugares.

Como te dizia. É bom termos sonhos assim.
Nós à frente de um projector de slides e de comando na mão vermos os vários cenários passando por nós. Não sei se já te disse, mas receio um dia perder esta flexibilidade sonhadora e ver-me apodrecer no mesmo sítio o resto da vida.

Portimão - Barcelona - Hyères

E esta foi só mais uma das muitas viagens de barco que fiz, faço e quero continuar a fazer.
O objectivo era levar um barco de Portimão a Hyères (França). Devido ao mau tempo acabámos por ficar quase 1 semana em Barcelona à espera que a meteorologia no Golfo de Lyon melhorasse. Isto permitiu-me passear muito, ver a Sagrada Familia com as suas obras eternas, os outros resquícios de Gaudí pela cidade, ir à fundação Miró, ao museu do Picasso e simplesmente passear pelas ruas, inserir-me na noite espanhola. Enfim a 3ºvez em Barcelona mas a 1º a conhecer aprofundadamente.
Cheguei a Hyères, apanhei o avião e cá estou eu, nada preparada para enfrentar filas paras as inscrições, informações mal dadas, equívocos de burocracias.. enfim a Faculdade com todas as suas letrinhas. Sim, porque agora passo a ter que me dirigir ao gabinete de estudos pós graduados e pagar propinas como gente grande. E ainda dizia o nosso adorado primeiro ministro que os empréstimos é apenas a cerejinha no topo do bolo e nem pensar em aumentar as propinas naoooooooo.. pois bem gostaria so de saber como é que vou pagar mais propinas num ano do que paguei em 3 anos de licenciatura (já com propina máxima). Enfim.. eu devia mas é ir para o Butão estudar.. ou coisa do género.

Mas adiante... aqui fica a foto reportagem da viagem.


Estreito de Gibraltar, como sempre com 30 nós poente


A Diana nas suas leituras, desta vez com update cómodo de bóia encontrada no meio do mar
livro: Italo Calvino - "As Cidades Invisíveis"


as varandas lindas de Barcelona com as suas cortinas afastadas


Barcelona vista de Montjuic


La pedrera (Gaudí)


Bancos vazios do Parque Guell (Gaudí)


Parq Guell sobre Barcelona


O barco


Os pés cheios de sal depois de vários dias de mar


Finalmente Hyères

Alentejo com a Mãe


Porto Palafita no Rio Sado


Estrada Nacional submersa pela barragem do Alqueva


Monsaraz

Terça-feira, Setembro 11, 2007

Praga aos nossos olhos


Staremesto


Charles I Bridge


no topo de Petrin: estrangeiros desesperados por umas merecidas birras.




a descer Petrin para o castelo


Zuchinni recheados e Beef Broth no Bar Bar



Nadador Salvador Xeca no Vlatva


Metrónomo onde durante a ocupação russa estava uma estátua de 30 metros do Stalin


Vista do Metronomo, com transeunte Xeca


Sopa de Zuchinni com salmão em Dejvicka






Dancing Building com intrusa de lonely planet na mão


Leitura Praguense no parque à beira rio: Franz Kafka com "O Processo" e Milan Kundera com "A insustentável leveza do ser"


no topo de Vysehrad: dois intrusos com a mesma ideia de se meterem à frente da paisagem


Almoço em indiano vegeta algures perto de namesti republik


Passeio de barco pelo Vlatva















último pequeno almoço no Bohemian Bagel comigo a defender com os dentes o meu bagel de pesto com tomate.


Basicamente, foi isto. E muito mais.
Adorei como preenchíamos as nossas refeições, pausas, fins de tarde, com as nossas leituras paralelas. E Praga soube fantasticamente também por causa disso. Não foram apenas os passeios, as visitas aos monumentos, a história brutal da cidade, os gelados no bairro judeu ao som de harpa, que fizeram os nossos bons momentos. Foi também a partilha do dia a dia. De sentir os fins de tarde escorrerem pela janela do quarto na cidade velha, aquecendo progressivamente a nossa pele.

Terça-feira, Agosto 14, 2007

A partir de certa altura fui constatando que há coisas essenciais para mim numa relação. A relação pode resultar sem essas coisas, mas eu não vou ser eu. Teria então a deformar o meu mundo.
Fui, assim, ao longo da vida apercebendo-me dessas coisas e juntando a uma lista mental da qual me rio muito. A primeira foi que a pessoa de quem gosto, gostasse tanto como eu de fazer carreirinhas nas ondas. De fazer túneis da areia. De tomar banho nu. De viajar muito. De se rir muito. De correr na praia. De saber cozinhar.
São coisas. Parvas, mas são coisas.

Dá-me a mão. Vamos para Praga.

Sexta-feira, Agosto 10, 2007

De ventoinha desligada

Por mais que adormeçamos juntos lado a lado, de todas as vezes, a meio da noite já estamos cada um esparramado para o seu lado, no seu quinto sono. E é assim que acordamos.

Estava no estado de sono pré-profundo quando me beijaste como se me estivesses a dar um beijo de boa noite. Só que a meio da noite.
Enquanto dormíamos vieste para o meu lado, envolver-me com os braços. No leve sono em que o invulgar beijo me tinha deixado, o meu corpo estranhou.
Abri vagamente os olhos e vi-te com um ar convicto de olhos semicerrados. Pergunto-me se terá sido do sonho.

Terça-feira, Agosto 07, 2007

Resquícios do Acampamento de Jovens Revolucionários

O acampamento já há muito que acabou mas a minha vida de trabalhadora árdua (cof cof) não me permitiu escrever antes.
Basicamente foi muito fixe. Aprendi tanta coisa, discuti, debati, conheci outros jovens revolucionários com ideias semelhantes, planeámos mobilizações internacionais, solidariedade e principalmente cheguei a conclusão que mais ou menos por toda a europa todos os paises estão a sofrer os ataques neoliberais em tudo o que é serviço publico e que as manifestações contra essas ameaças, se juntas, têm muito poder. e é isso que nos falta. União.
Convivi durante uma semana num espaço em que não me oprimiam, quer por ser mulher, feia, magra, cheirar mal ou qualquer outra coisa. Tivemos uma festa só de mulheres. Houve também uma festa LGBT aberta a todos.
Em tudo, foi muito positivo.

Aqui sou a ovelha negra. Lá, eramos o rebanho das ovelhas negras.

Sexta-feira, Julho 20, 2007

Puffaaa

Ar, ar, ar, ar!
Desde o final de Junho que os meus dias não foram meus.
Foram do trabalho, da faculdade, dos outros.
Faz amanhã uma semana que terminou o meu trabalho e começou o estudo em contra-relógio até 4f. Depois vieram 2 dias e 3 trabalhos para fazer. 2 noites a dormir em cima do PC e o trabalho mais rápido da história: uma tarde, uma noite, uma manhã.
Vou agora à faculdade abraçada aos 3, entregá-los.
Só depois me devolvem a vida de novo e a cabeça.
Eu sei... isto num estudante normal é o cenário de todas as épocas de exames... mas para a dianinha tinha que ser a primeira vez.

Hoje à noite parto para aqui. Finalmente férias, depois de.. quanto tempo?
Uma semaninha de revolução e depois volto para trabalhar mais 2 semanas e aí finalmente restam-me 2 semanas sem fazer nada!!! Por enquanto..

Terça-feira, Junho 26, 2007

21 de mim!

tlim!! mais uma volta ao sol já cá canta! e um texto para comemorar..

Nós não queremos

"Nós não queremos votar por sms nos concursos de tv, queremos verdade e justiça! Nós não queremos mais produtos light, queremos água potável e medicamentos para tod@s! Nós não queremos jogos virtuais, queremos espaços de lazer e tempo útil para gerir e usufruir! Não queremos a sensualidade da publicidade e das estrelas de pop, nem falar a 5 cêntimos por minuto, queremos namorar a quente, com quem quisermos e sermos felizes! Não queremos ser encarad@s unicamente como consumidores e mão de obra barata, somos gente que pensa, que ama, que ri e reflecte, e produzimos muitas mais coisas para além de mercadorias! Nós não queremos rastejar nem mendigar, queremos gritar como mulheres e homens livres e iguais! Nós não queremos venerar mais amos e patrões, queremos um mundo sem escravos e submissão! Não queremos assistir a jogos de guerra no ecrã plano, queremos um mundo em paz a três dimensões e onde as pessoas podem circular e estabelecer-se na terra de outr@s que é sua também! Nós queremos muito mais, e melhor... Nós só queremos... TUDO a que temos direito, num outro mundo, que é possível!"

Nuno Milagre

Segunda-feira, Junho 18, 2007

"Sonhando mudas a realidade"



Segunda-feira, Junho 11, 2007

À janela

Fazes me lembrar os quadros de Klimt.
Como este.

Sábado, Junho 09, 2007

Junho e afins

Não percebo.. ainda não tinha bebido metade da cerveja já estava a querer abrir a porta de casa com o fecho automático do carro....

ahhh e hoje
depois da feira do livro de ontem (desta vez com a inovação de que comprei mesmo um livro!) só faltam mesmo os Santos na 3f para o meu Junho ficar completo!

Sexta-feira, Junho 08, 2007

A Diana e o Pai

Anzio - Poltu Qualtu - Maddalena - Porto Collom

De Roma a Mallorca.
Vela, Peripécias, Mar, Cozinhar, Dormir, Ler, Estudar, Escrever, Passear.
Principalmente, desaparecer do itinerário Casa-Faculdade-Casa.
Comboios, metros, pessoas, cantinas, aulas.
Abstrair-me disso tudo. E gozar.

Quinta-feira, Maio 24, 2007

Dias de verão que cheiram a cerejas

Tempo em que não estás ao lado para me sorrir e beijar um bom dia.
Para a ausência desses dias tenho o despertador igual ao teu, assim acordo sempre a pensar que és tu quem tem de se levantar para o ir desligar. Depois lembro-me que estou numa cama com pouco mais que a minha largura e é o meu telefone que toca.
Sou, sempre fui, muito pouco eloquente a falar ao telefone. Monossílabos meus entrecruzam-se com as interferência da linha. Isto confunde as pessoas. Sabem que eu consigo ser dos seres mais histéricos a rir ou a contar histórias que começam por "Nem sabes!!!!" em que faço muitas expressões e entoo as palavras sempre de modo estranho, desculpando-me numa dislexia que não possuo.
Deitar-me a olhar para o tecto sem não adormecer logo. Era nesses momentos que eu me preenchia da frases soltas, textos, pensamentos, imagens. Ia para a rede adormecer com o Sol no topo das bananeiras, num leve oscilar.
E a doçura no ar envolve-me.

Domingo, Maio 20, 2007

Plim!

Mais um dia. E com ele, mais uma viagem planetária em torno do sol.

Parabéns Txeca Txeca

É bom que tenhas gostado dos trabalhos manuais, que te tenhas rido com os vales e que isso sirva para sonhar e concretizar.

Lembro-me a primeira vez, de muitas, que me abriste a porta e lá estava eu ofegante por subir sempre os 4 andares, de 2 em 2 degraus. O elevador guardo para descer contigo.
Brinquei por teres uns espelhinhos pequeninos pendurados na sala, um quarto só com armários e ter sido a única vez que me deste chá de cinnamon.
Hoje brinco por não teres portadas no quarto, por teres um sofá que, por ter design, está acima dos minimos que toda a sociedade deve ter (devias ter um banco de pau!) e comeres Häagen-Dazs!
De fazermos jantares que demoram 5minutos a preparar.
De te dizer olá é a Diana e responderes olá é o Xeca sempre que falamos.
Do uso e abuso do tou malllliiiiii e do cáriiilllll.
E de como ainda não desertaste mesmo depois de ouvires as minhas piadas.

Coisas.
Coisas que me fazem dizer que Gosto de ti.


Quinta-feira, Maio 17, 2007


Mirah - Monument
A música esteve na cabeça o dia todo...
(mas realmente que video piroso....)

Terça-feira, Maio 15, 2007

O que era eu, o que era eu?

Margarida Pinto - Apontamento

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada, descuidada.
Caiu, e eu fiz-me em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
E os deuses que há debruçam-se da escada.
Para ver o que a criada fez de mim
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
E os deuses que há debruçam-se da escada
E sorriem à criada
Não se zanguem com ela.
São tolerantes...

A minha alma partiu-se como um vaso vazio
Caíu, partiu-se, caíu

O que era eu, o que era eu?
Um vaso vazio

Alastra a escadaria atapetada de estrelas.
Ao fundo um caco brilha entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
E os deuses olham-o por não saber por que ficou ali.

Sexta-feira, Maio 11, 2007

Começa a sorrir!


Chegam os dias de verão e com eles os Humanos vão directos para a aparelhagem!

Quarta-feira, Maio 02, 2007

::MAYDAY 2007:: O precariado Rebela-se!!

O muro precário:

Antes:


Depois: (os precários não têm muita pontaria...)

A passar no Ministério do Trabalho Precário


O que nos espera depois do curso (nas costas de um mISTa):

O Santo António coroado São Precário (em Alvalade):


Um recibo verde para ti um recibo verde para mim!

NAZIonalismo é parvoíce! (mega faixa feita pelo Rui Borges e transportada pelo MUdA)

Os items a abater, desta vez na Cidade Universitária onde a Parada MAYDAY terminou:

(Ahhhh os meus sinceros agradecimentos ao Xeca, o fotógrafo profissional. E de notar que a do mISTa e do recibo verde foram tiradas do www.esquerda.net)

Sexta-feira, Abril 27, 2007

Nevou em plena Liberdade

Tanto há para dizer num 25 de abril.
Para passados 33 anos existirem tantas pessoas a celebrá-lo. Pessoas que o viveram, que acordaram em 74 e foram inundados pela notícia de que o país se cobria de cravos e esperança e liberdade.
Pessoas que, como eu, não o viveram, se deixam contagiar por um dia em que essa esperança e euforia se conecta a todos nós. O que terá sido viver essa revolução?


Agora.. porque é que tão belo dia tem que ser tão negramente marcado com a violência e as mentiras autoritárias?

ALERGIA FASCISTA NÃO MATA O ACTIVISTA

Segunda-feira, Abril 16, 2007

Sou feliz.. no horário de Verão

Darling, there's a place for us
Can we go, before I turn to dust?

Domingo, Abril 15, 2007

Segunda-feira, Abril 09, 2007

A Diana e o tio

Sexta-feira, Março 30, 2007

My sleeping heart woke and my waking heart spoke

Corremos monte a baixo.
Eu ia à tua frente respirando desordenadamente. Ouvia o teu trilhar atrás de mim, e acelerava. E quase tropeçavamos. Eu tinha que levantar bem as pernas para conseguir rasgar por entre aquela vegetação que me dava pelos joelhos. E tu rias-te. E já nem levavas a nossa corrida a sério, tal seria a minha figura. Parei, ofegante e deixei-me cair para cima das azedas. Senti-me meio idiota, ligeiramente consciente que isso não era mais que felicidade. Quando chegaste ao pé de mim, tranquilo, trazias restos de folhas agarrados as pernas. Parecias um papel de parede. Sorrias. Tentei mandar-te uma das minhas facadinhas, mas não tinha fôlego para tal. E ainda disseste: Menina! Acenei-te com um dos meus "parvos" e sentei-me. Atirei-te uma azeda e ali ficámos a ver quem conseguía comer mais azedas sem fazer uma careta.
E o vento ia abanando tudo à nossa volta. Nós parados, observando a constante mutação do dia.
Despi-mo-nos, atirando-nos ao rio. O cabelo molhado à frente dos meus olhos impedia-me de ver-te debaixo de água a puxar-me por uma perna e eu engolir metade da nascente. Eras um pequeno Mogli, e isso não te importava. Eu imitava uma daquelas estátuas no meio das fontes que cospem água e tu "Clap clap, dou-te 20 valores!" Riamos muito. Tudo o que dizemos, dizíamos com acentos diferentes. Fazíamos assim o nosso próprio alfabeto cheio de banalidades mas originais. E deixávamos que o Sol se encarregasse do resto.
Os raios de sol ajudam sempre nestas coisas.
Hoje, vem dançar comigo esta história que agora é nossa.

Domingo, Março 25, 2007

Vitaminas-me

Foi o meu lado esquerdo
que me levou até ti

Quarta-feira, Março 14, 2007

O cheiro dos limões

Hoje queria-te falar dos dias de Sol.
Acho que já reparaste que já sentimos a pele quente quando nos demoramos a conversar em algum lugar só nosso.
Abri a porta e não senti diferença alguma na temperatura. Apenas o cheiro, esse era diferente. Era o cheiro do vento quente que antes de chegar a mim se passeou pelas árvores e toda uma imensidão de ondas.
Contei-te que adorava ver o Sol refractar-se no loiro dos meus cabelos que caem sistematicamente para a frente dos olhos e como o mundo ficava tão luminoso. E depois focar alternadamente os cabelos e a paisagem lá ao longe.
Ouço as bananeiras abanarem-se com o vento e apetece-me pensar na vida de quem vive à beira mar de Norte a Sul do nosso país.
Sinto-me a viajar para longe. Enquanto me falavam da vorticidade das nuvens, apeteceu-me repentinamente atravessar o Sado no barco e ir para Sul de Tróia. Perder-me naquela estrada no meio de pinheiros esquecidos e praias recônditas.
Queria dançar de pés descalços naquela areia, alguma das bandas sonoras que acompanha os meus dias. Chegar e ter o prazer de presenciar uma praia deserta infinita para qualquer dos lados. Passar talvez horas dentro de água, pensando que o mar me pertence, mas sentindo que sou eu quem lhe pertence.
Toda uma plenitude de quem está no fim do mundo e imagina a civilização toda a continuar a trabalhar sempre nas mesmas rotinas, nas mesmas horas, nos mesmos trajectos, sempre com as mesmas obrigações.
Eu livre.. perdida do relógio do mundo.

Segunda-feira, Março 05, 2007

Bahhh!!

9€ de conta de hospital.. isto de sair a noite está cada vez mais caro...

Não me interessa! Agora também já não quero voltar a ter telemóvel!
Tal como o Duarte sugeriu, amanha vou já comprar umas acendalhas e a partir de agora só comunico por sinais de fumo. E passo a ter um verylight no bolso para os casos de emergência.
Fiquem Atentos!!

Sexta-feira, Março 02, 2007

De portas abertas..


Camera Obscura - If looks could kill

Volta Depressa!
Temos tanto para contar!

Domingo, Fevereiro 25, 2007

Porque é que a chuva cai em gotas?

Quem és tu?

vens, saltas, berras.

E depois sorris demoradamente para mim..

Tinha esta ideia de te escrever quando via o teu perfil mover-se sobre um fundo rosa imaginado, enquanto dançavas de olhos fechados. Não sei.. achava-te assim num estado puro, sem que nada do que toma forma à nossa volta estivesse lá.
Falávamos, sempre falámos. Rodeávamos todos os momentos com palavras parvas.

Nunca teria adivinhado a tua sensibilidade se não tivesse sentido as longas ondas do teu calor baterem no meu corpo. Agora ouço-te o coração sem que me fales.
Descobri o prazer de pousar o ouvido no teu peito e ouvir-te vibrar quando falas.

Deitados no chão parece que conseguimos sentir a civilização lá fora, propagando-se pela janela aberta até nós. A escuridão do quarto faz-nos observar em silêncio as sombras de forma indecifrável que percorrem o tecto por causa das luzes dos carros que a esta hora já não deviam passar.
É essa contemplação do mundo para além de nós que me preenche a imaginação de frames de viagens não feitas e novas maneiras de viver, com novos alfabetos para desbravar o nosso horizonte. Há tanto por conhecer!

Hoje esta música transpõe-me para debaixo de água.
Para o topo das longas escadas de pedra nos mosteiros nas montanhas.
Para os jardins japoneses.
Para o som da chuva nas florestas.
Para a humidade a cair sobre a minha pele.

Dá-me a mão. Vamos passear.

Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Não resisto a escrever...

PARA O INFINITO E MAIS ALÉM!
pronto era qualquer coisa pirosa como isto que me apetecia dizer perante uma foto que me deu um gozo enorme já que... vai daí estava a levar com uma onda nas trombas! É altinho mas o mar também é grandinho!!
E o meu ar de conquistadora de Allstar é qualquer coisa, desculpem lá!!

Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007

Flashes que encerram a semana

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Entretanto..


.. enquanto a história ficou por escrever fiquei a sorrir, encantada.
Silenciada pelos salpicos que respirava da inquietude do mar.

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

Nada me prende a nada!


Esta é a semana que a Diana desaparece só porque lhe apetece.
Ciao!

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007

Hoje SIM!

Hoje acordei num país melhor.



Parabéns a todos que ajudaram a tirar a venda dos olhos a esta população, informando-os.
Aos que sistematicamente desmascararam os fundamentos dogmáticos e irreais presentes na Campanha da confusão do Não.
Que se empenharam para acabar com esta hipocrisia.


Que tal como eu votaram SIM.

Ao Ciências Pelo SIM, que provou que ainda há dinamismo e vida política activa nas Universidades.

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

Mãos frias, Coração quente

Ontem consegui ter desses dias inesperados.
Quando saí de casa cheirava verão! Estava um dia com tanta esperança.. o sol refractava-se no mar espelhado da baía de Cascais. E simplesmente tive uma iniciativa que já não tinha há muito tempo. Sair, deixar o peso de estudar para trás e ir até à costa, preencher-me. Uma lufada de ar fresco!
Tomei um demorado banho naquela imensidão de praia deserta. Ahhhhh
Quando saí era já fim da tarde e estava a tiritar. Todo o meu corpo tremia do frio e de tanta felicidade de ser protagonista deste momento. O coração, esse estava muito quente.
Adoro quando, depois, me começo a vestir com roupa muito quentinha e sentir ainda os pés cheios de areia. Encolho-me no cachecol, enquanto vejo o céu a mudar de cor junto ao rasto do sol.
Recarreguei energias tão valiosas!
Precisam-se mais dias assim. A pensar menos e agir mais.
Encher os pulmões de ar encantado e cheirar o sol do fim da tarde.


Terça-feira, Janeiro 30, 2007

Lisboa aos domingos


Não há elipse, não há nada.
A foto, de tão pouco cativante que está, de nada serve.
Servem sim todas as tardes de domingos como esta, que se poderiam desenrolar a passear pelas ruinhas empedradas, pelos telhados empoleirados, pelas escadas desniveladas, pelos chás de hortelã dos cafés acolhedores da Graça. Já ofegante chegar ao castelo e sorrir ao ver o frio cortar-me os lábios e silenciar-me perante uma Lisboa atormentada por nuvens escuras deixando escapar o Sol brilhante no horizonte.
E já dizia eu que cenários como este, me fazem sentir repleta de amor. Muitos sentimentos bons que querem ganhar terreno. Só teria de os encaminhar!
Acho que a minha solidão em espaços abertos desertos decide fugir de mim e torna-me impulsiva, repleta de ideias geniais!!

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

I'm ready to be heartbroken!



Esta música, a primeira vez que a ouvi foi na primavera e só-me ri com o ar divinamente feliz com que ela diz
Hey! i'm ready to be heartbroken!
De certo modo faz-me lembrar a minha cara entusiasmada (NOT!) nos dias de chuva!

Todas as músicas deste álbum, todas tão radio clube português de sexta à noite.
Chegaram encantadoramente no dia certo. Dão todas tanta vontade de as cantar em voz alta e sorrir muito!
Happy, happy, happy com descobertas destas.

E só mais uma palavra para este video: Kitsch!

Camera Obscura - Lloyd, I'm ready to be heartbroken

Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Num mundo à beira mar

Os dias já estão a começar a crescer.
Finalmente. Já caminho para casa e o sol ainda se está a pôr.

Preencho os meus dias com tudo o que posso imaginar para não ter que pensar em ti.
Estás em tudo. Não posso ouvir música sem te ouvir. Tiras-me a música e tiras-me o ar que respiro. E já não é a leve memória passada de nós que me aborrece. É tudo em que nós nos tornámos.
Todos os verbos que conjugámos no infinito, nos dias de verão.
Dizias que até já dançavas como eu quando ouvias música.

"Mas afinal o universo está dentro de quê? Duma caixa?" Perguntava eu. Eu sempre tive essa necessidade de enquadrar os contextos. "Por isso se nós estamos no sistema solar e o sistema solar está na Via Láctea e a Via Láctea está no universo, o universo está onde?" Só te rias. "Pára lá com as geekezices, a sério!"

Tudo isto que sinto, já foi sentido tantas outras vezes por tantas outras pessoas. É tudo tão repetitivo.

E esta imensidão de mar à minha frente, toda tão sincera.
Somos sempre tão imperfeitos.
E tu dizias que todas as imperfeições de uma pessoa era o que as tornava bonitas.

Domingo, Janeiro 21, 2007

"O princípio do fim das nossas vidas chega no dia em que nos silenciamos sobre o que é importante."
(lido algures na agenda do CCB.
Talvez Churchill?)

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

Continuamente penso que é hoje que mudas e que apareces. Que quebras o silêncio das esperas infindáveis. Sempre tu, mas não apareces. E tenho tanta vontade de chorar.. já não sei se por seres assim, se por acreditar em ti. E hoje eu até tinha praticado o violino.

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

Precisava de te ouvir agora... a dizer algo banal, como se fosses uma constante... nem algo banal nem mais complexo... ausência de som ou texturas...

Domingo, Janeiro 07, 2007

E volto a pôr a cabeça debaixo da terra

E ontem em conversa, houve palavras que me desencantaram memórias que estavam bem arrumadinhas e arquivadas. Falávamos ao jantar das viagens, da maneira como ambos os meus pais nas suas descrições, põem-se sempre no lugar de heróis das histórias que contam. E no meio desse emaranhado de excertos reais e palavras fictícias, lembrei-me das nossas viagens desde o momento em que eu me lembro de ser viva até termos vendido a nossa 4L. De como ao entardecer, com o cheiro da vegetação rasteira, nos vestiam os fatos de treino, tão confortaveis e quentes. Punham-nos os sacos de viagem entre o banco da frente e o banco de trás, e fazendo uma espécie de cama dormíamos com as cabeças para lados opostos para caber-mos as três. Tapavam-nos com os sacos de cama e a viagem continuava de noite com longas estradas até ao destino final. Ás vezes acordava e ouvia os meus pais a conversar calmamente para se manterem acordados.
Das sopas instantâneas muito quentes, bebidas nas grandes tigelas, nos jantares feitos à porta da tenda verde rodeados de paisagens nunca desbravadas.
São tantas as coisas boas que me aconteceram nessas alturas em que vemos o mundo de baixo, que me é difícil aceitar como a realidade de hoje se moldou com tantos outros episódios que não quero recordar.

Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

E estamos em... Janeiro!

Não foram todos os que fizeram parte do meu 2006, mas todos os que entraram comigo em 2007.
E agora hibernar a estudar..

Sábado, Dezembro 30, 2006

Um 2006 relativo

E já que o mundo se orienta numerando as voltas em torno Sol, eis o que pertenceu ao meu 2006

Melhor Filme: "Me, you and everyone we know" de Miranda July

Melhor Concerto: Kings of convenience (Aula Magna, 29 de abril) e Zero7 (Sudoeste)

Album que mais ouvi: Riot on an Empty Street -kings of convenience, The Garden - Zero7

Músicas que mais repeti (e foram tantas!): Singing softly to me - Kings of convenience, Save me - Aimee Mann, The pageant of the bizarre - Zero7, Jacksonville - Sufjan Stevens, Haiti - Arcade Fire, Universal traveller - Air, The art of fitting- Blasted Mechanism, The wakening of womam - The Cinematic Orchestra, Just like heaven - the cure

As melhores descobertas musicais: Air, Do Make Say Think, Nouvelle Vague, Rodrigo Leão, Sufjan Stevens, Final Fantasy, The innocence mission, Arcade Fire, The Cinematic Orchestra, Four Tet, Psapp

Música que mais me fez sorrir: I'd rather dance with you - Kings of Convenience (Tururu)

Música que mais ouvi antes de adormecer: Parallel Lines - Kings of convenience

Melhor Livro: "3 quartos de laranja" e "A Filha da Floresta"

Viagem mais longe: Mónaco

Melhor passeio nocturno: Ericeira

Melhor passeio diurno: Vila Nova de Mil Fontes

Melhor descoberta de menor importância!: quando descobri chá de hortelã em pacotes :)

Melhor Nota: 19 - Cálculo4

Cadeira mais tortuosa: Fundamentos de quimica, Termodinâmica

Resoluções de ano para 2006 cumpridas: 2/12

Os grandes vencedores da música foram os kings... embora tenha ouvido muita coisa diferente durante todo o ano, eles foram uma constante. Se me pedissem para relembrar este ano os flashs que me vinham à cabeça, era as viagens a coimbra a ouvir kings, os permanentes dias de chuva por Março e Abril, os dias de Sol de Junho e Julho com Zero7, um Agosto preenchido pela solidão das férias, os fins de tarde ventosos na Peninha e outra vez em loop um inverno que se deixou marcar pela melancolia de tudo.

Domingo, Dezembro 24, 2006

Votar Sim ou Não? Nem se põe a questão!

Primeiro de tudo, para a pergunta do referendo não ser encarada com o cepticismo próprio dos opositores a qualquer mudança (muitas vezes mesmo sem estarem informados), devemos explicar aos menos atentos e levados pelo falso apelo sentimental presente na Campanha do Não, que a ideia principal pela qual nos empenhamos nesta plataforma é a descriminalização do aborto.
Nós não andamos a pedir “Por favor, abortem!”, não é nada disso que andamos a fazer. Andamos sim a lutar para que o aborto seja despenalizado.
Existem muitas pessoas que são a favor da descriminalização do aborto e são contra o aborto propriamente dito. Isto pode parecer uma plena contradição para o leitor idiota que vem ler estes textos numa procura raivosa por esses “indecentes” do Sim. Uma pessoa pode não concordar com uma interrupção voluntária da gravidez, mas será que não existe o direito à liberdade de escolha? Devem essas mulheres ser perseguidas, incriminadas e julgadas por terem agido de acordo com a sua consciência? E se alguém é contra o aborto em si, ao agir de acordo com os seus princípios nunca irá fazê-lo! Mas então porquê impedir quem é a favor de agir segundo a sua consciência?
Se noutra situação qualquer, o indivíduo comum na sua mesquinhez egocêntrica, responderia que “os problemas dos outros não têm nada a ver comigo” porquê agora essa sede insaciável de ver mulheres sentadas no mesmo banco dos réus de um violador? É essa mesma mulher, que é impedida de fazer um aborto por causa de uma lei retrógrada, que vai criar uma criança não desejada, sem condições monetárias e psicológicas. Para quê? Porque um conjunto de atrasados mentais diz ser contra natura destruir um conjunto de células, que em vida teriam um destino muito mais negro?
Essas mesmas pseudo-crianças que os hipócritas defendem, até podem ser aquelas que depois levam o seu desprezo quando lhes pedem esmola na rua, ou lhes assaltam o carro, por terem crescido num ambiente de marginalidade. São esses mesmos prepotentes que votam Não, porque têm dinheiro e se por acaso as suas mulheres desejam abortar vão fazê-lo em condições e sem riscos de vida, ao estrangeiro. É como dizer “deixem lá a escumalha que se arrasta a nossos pés morrer com complicações causadas pelos abortos ilegais feitos em péssimas condições, porque não se precaveram, etc.”. Como pode existir tanta ironia numa só pergunta?
“Porque hoje em dia só se engravida se quiser! E as pessoas têm de ser responsáveis!”
Há algum método contraceptivo de 100% de eficácia? Não. E mais, uma mulher não fica grávida por obra e graça do espírito santo. Daí que a gravidez da mulher também compete ao homem. E se há maridos que obrigam as mulheres a irem abortar porque simplesmente não querem ter mais filhos ou porque sempre desejaram um filho e “sai-lhes” uma filha, porque terá de ser a mulher a martirizada? Então porque é que lei só condena as mulheres?
E as mulheres que não podem negar sexo aos maridos educados na crença da absoluta submissão da mulher? Podemos pensar que isto é uma realidade ultrapassada mas também existem muitas mulheres fora das grandes cidades cosmopolitas que se debatem com dilemas iguais. O aborto não é um problema contemporâneo. Sempre existiu e continuará a existir.
A mulher não escolheu que o desenvolvimento do feto fosse feito dentro dela, e se uma gravidez resulta da união de duas pessoas porquê sermos unilaterais nas nossas leis? Mas de injustiças está o mundo feito. Não pudemos entrar pelo que estaria certo ou errado porque teríamos que analisar a questão de todos os ângulos possíveis e imaginários.
“Se não querem ter os filhos dêem-nos para adopção!”
Esta gentinha não percebe que a gravidez não é feita apenas de dois passos: o de fazer o filho e o de tê-lo. A gravidez pode ser um processo de gestação de 9 meses em que não só um ser está a crescer dentro da mulher, como a ela própria está a passar por transformações psicológicas e físicas. E muitas destas mulheres que decidem abortar, não têm tanto meios para posteriormente criar o filho, como essa gravidez lhes traria despedimentos nos trabalhos machistas, rejeição familiar, já para não falar no trauma de toda uma vida a imaginar como teria sido a criança que se deu para adopção.
“Porque com a legalização, o número de abortos iriam aumentar, tanto que não seja porque as mulheres o utilizariam como método contraceptivo!”
Só patetas sem a mínima noção da realidade fariam suposições destas. Primeiro porque, à excepção da Irlanda, Malta e Polónia, em todo o resto da Europa o Aborto está legalizado há vários anos e não os ouvimos dizer que nunca mais ouve população jovem ou que existem pessoas com 30 abortos no seu currículo de saúde. Depois porque pode ser fácil discutir teoricamente o aborto, mas viver com essa experiência traumática não é uma recordação que facilmente se desvaneça, sendo até a principal causa de morte em mães adolescentes em todo o mundo. Além disso, os dados mostram que nos países em que a legalização foi aprovada, o número de abortos diminuiu tanto, por esta medida ter sido acompanhada de campanhas de informação e planeamento familiar, com simplificação do acesso aos métodos contraceptivos. De modo que é muito pouco provável que com a legalização passe a haver uma recorrência desmesurada a esta intervenção hospitalar.
Acima de tudo as pessoas têm de perceber que votar Não no referendo não vai impedir que o aborto se continue a fazer. O aborto em Portugal existe e é um problema de saúde pública. Continuam sim clínicas ilegais a ganharem milhões à custa desta lei, que proporcionam, nas piores condições sanitárias e com graves riscos de lesões eternas para as mulheres que fazem abortos ilegais. Fazem-se perto de 20 mil abortos por ano em Portugal, sendo que desses chegam 5 mil mulheres aos hospitais públicos com complicações por abortos mal feitos. Abortos esses, feitos no desespero dum eterno quarto escuro que ficará a ecoar nas suas cabeças.
Por isso, parem com frases do género “Prendam os assassinos!” porque nós ao contrário desses idiotas, não nos agarramos a dogmas ultrapassados. Nós tentamos ver o problema por todas as faces do prisma e perceber que acima de qualquer razão filosófico-científica está a vontade da mulher e as possibilidades de um futuro de uma criança em termos de igualdade com uma que nasceria num ambiente receptivo e com condições.
Ser mãe/pai é uma decisão para a vida. Não estamos aqui a discutir politica ou religião, o que está certo ou errado. Por isso não deixemos cair as decisões que afectam a nossa vida, no sentido de justiça alheio.
Votar Sim no referendo, permite que a mulher deixe de ser reprimida e punida nas decisões sobre o seu corpo, e que se acabe com o problema de saúde pública que é hoje o aborto em Portugal. É um passo no sentido de igualar as oportunidades de escolha a toda a gente.
Diana Neves
Texto escrito para o site Ciências pelo sim

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

Era uma vez (e não sei mais)

Quantas histórias não te contei
Estranhas e várias, nem eu sei
Por quantos mundos não te levei
Tantos que esqueci, tantos que inventei

E onde andavas tu?
E onde andavas tu?
E onde andavas tu? Sei lá...
E onde andavas tu?

Quantas histórias, quantos enredos
Era uma vez e não sei mais
Estranhas e várias nos seus segredos
Todas as histórias se perdem meus finais


E onde andavas tu?
E onde andavas tu?
E onde andavas tu? Sei lá...
E onde andavas tu?

Onde andavas tu?
Em que história te escondi?
Onde andavas tu?
Quando precisei de ti
Onde andavas tu?
Em que história te deixei?
Sei que era uma vez
E mais te juro não sei

(Rádio Macau)

Warm sound


Tantas eram as vezes que me rodeava destas caixinhas de música quer em forma de guarda-jóias, caixas de pó de arroz, souvenirs para a minha mãe de alguma cidade visitada pelo meu avô. Metia-as a tocar uma de cada vez e depois todas ao mesmo tempo.
Que fascínio imenso.
Depois cresci e deram-me a caixa que mais vezes eu punha a tocar. Acho que em pequenina era a bailarina que me fascinava ali a andar às voltas. Hoje é esta música profundamente melancolica que me faz lembrar tudo isso. Quando dou corda e me deito até a música se desvanecer. Então fecho a caixa e sento-me ao estirador. Por onde começar na vida real, depois de se voar por tantas memórias?

E um vídeo um pouco menos deprimente (e psicótico, disseram) do que o anterior..

Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

Hoje gosto de ti

No meu gostar não há escolha dos dias. Dia a dia o tempo passa por mim. O passado fica no início do dia e o futuro quando me deito. O presente, esse vai lentamente atravessando as horas comigo percorrendo o dia inteiro.
O meu gostar nasce assim.
Sei que quando acordo gosto de ti. O meu futuro está a uma distância horária razoavel para me garantir uma probabilidade positiva de eu gostar de ti.
Assim os dias passam singulares.
Não preciso de saber se amanhã gosto de ti, ou se gostei ontem e hoje já não gosto. Esta sequência de 24horas de cada vez , chega-me na minha simplória harmonia.
Enquanto eu sentir que gosto de ti, vai ser bom. Não preciso de me preocupar com planos feitos num passado demasiado longínquo e que agora os cumpro por dever ao que sentia.
Este gostar dura enquanto for preenchido, enquanto o passado, o presente e o futuro estão todos no mesmo dia, sem serem carregadas constantes nem estarem demasiado distantes.
Mas acabo a perceber que de nada me servem tantas teorias e suposições contextuais se a realidade se encarrega de me descreditar.
Afinal.. gosto de ti todos os dias

Quarta-feira, Dezembro 13, 2006

E se calhar não sei assim tanto, mas suponho...

" Eras uma tese de doutoramento existencial em movimento. Alguma vez te disse isto? Pensavas tanto e tão bem que intercalavas sempre as citações nos sítios certos. Não precisavas de as engolir e vomitar como pérolas próprias. Tornaste-te ostra, sim; ou menos pessoa se preferires " (em Fazes-me Falta - Inês Pedrosa)
(eu sei é extremamente deprimente pensar-me a ingressar nas leituras de "Gaija" mas não resisti a ver como é esse universo das mulherzinhas deprimidas)
Sei que assombra-me o medo de comprar livros que não correspondam às minhas expectativas criadas apartir de um título crucial.
Sei que hoje tudo isso parecia muito secundário.
Sei que deambulei no meio de livros, folheando os novos, acariciando os velhos, lendo na diagonal os grandes classicos.
Sei que se passaram horas e eu continuava a deixar o sol e as palavras iludirem-me, que a madeira estalava ao ritmo dos meus vagarosos passos pelos compactos de papel, amontoadamente categorizados.
Sei que os fui pondo debaixo do braço e sei o arrepio da quantia confirmada no verde-codigo-verde.
Sei que comprei os livros na altura errada, porque falta-me tempo para estudar e sinto-me fatalmente vazia se não os estiver a ler neste mesmo momento.
Sei que são poucos os livros que consigo ler sem um desinteresse crescente, e nada sabe melhor que encontrar o livro certo na altura certa.
É tudo tão relativo.

Domingo, Dezembro 10, 2006

"Não sei se era maior o desejo ou o espanto
mas sei que por instantes deixei de pensar
uma chama invisível incendiou-me o peito
qualquer coisa impossível fez-me acreditar"

Jorge Palma - Estrela do Mar

Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

Me, You and Everyone we know..

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

"I like the peace in the backseat,
I don't have to drive,
I don't have to speak,
I can watch the countryside,
and I can fall asleep."

Quinta-feira, Novembro 30, 2006

Dias de chuva no verão

Matilde estava com a cabeça caida sobre as almofadas dispersas aleatoriamente mas não se conseguia desprender do que ele lhe tinha dito. Tantas vezes o berrara sem a deixar falar, e repetira sempre com palavras cada vez mais fortes. Parece que passado tanto tempo ele ainda não tinha compreendido as suas razões.
"Segundo ele sou uma pessoa intragável, sou mal educada, não tenho o minimo de bom senso e formalismo necessário para viver nesta sociedade. Segundo ele sou arrogante, uma pessoa com quem não se consegue conversar, que desprezo as pessoas. Segundo ele, tudo o que eu possa dizer em resposta às suas criticas, são razões inventadas para me convencer da minha completa ausência da realidade.
Sabes Pai, às vezes nem sei se gaste mais as minhas energias a tentar fazer te ver que tu é que mudaste, que eu continuei a mesma miuda repentinamente calada que "tiveste ideia" que cresceu. Simplesmente não baseio as minhas relações em cinismo, não falo com pessoas que logo de inicio acham que eu sou um alvo a abater, não faço favores em estar com pessoas, as tuas pessoas, só para dar seguimento a esse mundo de hipocrisia em que vives. Eu simplesmente sou verdadeira. Não gosto das tuas pessoas mas isso não implica que seja incorrecta. Apenas me mostro o minimo para esses seres não se continuarem a alimentar da minha tristeza em ver-te tão longe, mesmo aqui ao lado. Que tempo temos para eu te contar como me faz tão melancolicamente feliz ver algum pai e filho no metro a despedirem-se de manhã, ou ver a ternura com que lhes pegam na mochila quando os vão buscar? Tens alguma noção que eu possa não te ser assim tão indiferente? Então pára e pensa porque me criticas tanto.. se calhar somos demasiado iguais não?
Mas serei eternamente eu que estou errada.. fui eu a chegar mais tarde." Mas desta vez, nem a música conseguia atenuar.

Segunda-feira, Novembro 27, 2006


i'm a shadowboxer...

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Entretanto só me apetece viajar... fugir.. perder-me por aí! Assusta-me a ideia de trabalhar permanentemente no mesmo sitio e em automático...

Terça-feira, Novembro 21, 2006

Jeff Buckley - Forget Her



"While this town is busy sleeping,
All the noise has died away.
I walk the streets to stop my weeping,
She'll never change her ways..."

Sábado, Novembro 18, 2006

- Sabes, Matilde, andar sempre com isso no ouvidos faz-te mal, para além de te tornar antisocial.
- Mas mãe desde quando é que eu fui social? Diz me quantos anos passaste a ir ao cinema comigo, porque mais ninguém o fazia? Porque pegavas em mim quando saía da escola e me levavas ao cabo da roca para ver o mar? Porque faziamos viagens caladas, e me deixavas andar com a minha cara de porta, compreendendo que era apenas o meu modo de estar e não chatear? Certamente seria porque foram os anos mais solitários da minha vida. Porque ainda hoje muitas vezes me apetece sair sozinha e não ter que falar com ninguém, sem ter que explicar o que quer seja. De ser invisível como tantas vezes o fui e ficar a ler os meus livros nos intervalos.
Por isso hoje deixa-me a mim e ao meio feitio de porta blindada.

Domingo, Novembro 12, 2006

Pois...

(Sugestão: para encarar tal post com algum sentido de humor, tome em conta que o meu egocentrismo sempre existiu, só que agora tenho maneira de comprová-lo - basta ter uma máquina digital com modo de self shot..)

Quinta-feira, Novembro 09, 2006

Na faculdade...


Encontramos lugares destes quando se faz a fotossintese ...

Sábado, Novembro 04, 2006

372 sonhos de menor importância



- Sabes que para ir à Lua tenho de abdicar de sonhos de menor importância?... 372 Sonhos de menor importância...
- Eu não sabia que as fadas trocavam sonhos
- Eu nem faço ideia do que são sonhos de menor importância. Será que já desperdicei todos os meus sonhos?
- Não registas os sonhos que pedes? A tua fada anda muito desorientada!
- Não sei... mas sou bem capaz de trocar 372 sonhos de menor importância por uma viagem à Lua.
-Eu acho que não era! E olha que eu quero muito ir à Lua. Quer dizer, eu nem me importava se ficasse a meio caminho, já era bom sabes?
- Não sei!... Eu gostava muito de ir à Lua.
- Mas tu sabes o que são sonhos de menor importância?
- Já te disse que não.
- Eu acho que era melhor falares com a tua fada, sempre que tenho alguma dúvida falo com a minha fada.
- Isso!
- Conheces a minha fada?
- Não
- Eu também não a conheço. Sabes como posso falar com ela?
- Não sei... mas vou falar com a minha e na próxima quinta-feira venho ter contigo aqui neste mesmo sítio, três minutos antes do galo cantar. Pode ser que.. consiga responder à tua pergunta.
- Achas que ainda vou a tempo? Achas que os voos para a Lua também se fazem à quinta-feira?
- Não sei
- Está bem! Até quinta-feira!
- Até quinta feira! Adeus!


Escrito pela Cat como presente de Natal em Dezembro de 2005.

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

Pintei dois quadros que ninguém entende

Quando é que isto começou?
Isto, o quê?
Isto.
O amor?
Talvez.
O amor?
Sim, pode ser isso. Quando é que o amor começou?
Começou antes de ter começado.
E depois?
E depois não acabou quando devia acabar. Durou mais tempo. O coração bate mais tempo. Depois não há maneira de parar o coração.
E então?
E então é assim. Não há muito que se possa fazer. Pode-se esperar.
Sim, pode-se esperar. Sem saber o que se espera, pode-se esperar.
Isso é ainda pior.
Talvez.
E então?
O que é que tu queres saber?
Eu gostava de saber.
Eu também gostava de saber. Mas o que se sabe é muito pouco, quase nada.
(...)
É tão estranho conhecer uma pessoa. Tão difícil que parece impossível. Não existir e passar a existir: uma pessoa inteira, um mundo inteiro. Onde caberá um mundo inteiro neste mundo pequenino? Como é que se consegue? Como é que se faz?
(...)
Está-se bem aqui. Gosto das casas ondem vivem as pessoas de quem gosto. Apetece-me logo ficar. Sem as pessoas, quero dizer. Ficar uns dias, talvez um semana sozinha, sem ti, e depois ir-me embora deixando tudo tal e qual como está, que é a maneira que tu tens de viver e uma maneira, quem sabe, que eu teria para te conhecer. Há mais maneiras, eu sei. Há muitas maneiras e nenhuma é a maneira perfeita, eu sei. Não faz mal, eu gosto assim. E, se tu quiseres, pode ser mesmo assim: tu partes, eu fico. Nem completamente presentes, nem totalmente ausentes, não é sempre assim? Outra coisa não, de outra maneira não. E gostava que soubesses que já gosto muito de ti, embora ainda não tenha tido tempo de saber o que é isso de gostar muito de ti. Não faz mal, logo se vê. Não, o que me assusta mesmo muito, quase terror por vezes, é depois não poder voltar atrás, tão simplesmente como quem põe uma fita de cinema a rebobinar. Quero dizer, depois de começar a gostar de ti como gosto, já não consigo desfazer isso que se fez, sei lá o quê, o que tu quiseres, isso tudo, o que nos traz juntos até aqui, se tu quiseres. Deixar de gostar é outra coisa. É muito triste. Não tem nada a ver. Não, tu começas a gostar sem saberes do que vais gostar, não podes saber o que vais encontrar. Começas porque começas antes de saber, e aos poucos vais sabendo um pouco, que não chega a muito. Nunca tudo, tudo é impossível. Só é possível ir aprendendo. Sabe melhor até. E pior. Umas vezes mais enganado, outras vezes menos, julgas tu ou julgo eu, tanto faz, sem nunca podermos ao certo saber quanto engano de mistura. O menos possível, concordo, mas a medida exacta é improvável neste caso. Nem é conveniente. Depende muito do que vamos encontrando, no que vamos tropeçando, do que nos acontece sem querer, disso não depende de nós, antes pelo contrário. Isso, por exemplo, que já era igualzinho ao que vai ficar depois de nós. Igualzinho, o mundo todo por exemplo. Só o querer da vontade depende de nós. Parar, neste caso não se pode, porque aquilo, enfim, já não precisa de nós. Nós, sim, é que precisamos daquilo nem que seja só para poder continuar. Do amor, quero falar. E cada vez mais, ao mesmo tempo e pelas mesmas razões, tanto as boas como as más, que de nada parecem servir. Exemplos? Tu pedes sempre por exemplos mas por vezes não os há. O nosso caso, por exemplo, não tem exemplo. Se sabes qual, diz-mo. Mas repara, não é de ti nem sequer de mim, que estou a falar. Estou a falar do que nos acontece. Estou a falar de várias coisas e cada uma de sua vez já que não pode ser de uma só vez, assim tudo junto numa só palavra, como seria tudo de uma só vez, como seria?
Pedro Paixão, em "Muito, Meu Amor"

Quinta-feira, Outubro 26, 2006

A conversa da Semana

Isto passou-se mais ou menos assim...

E fez com que eu fosse sorrindo para o resto do dia.

(Começo a pensar que sofro de algum problema de diletantismo, a começar por achar que fazer desenhos idiotas no paint e colocá-los alegremente no blog é mais proveitoso que estudar o que quer que seja..)

Sábado, Outubro 21, 2006

Arcade Fire - No cars go



E ás vezes apetece mesmo...


(Hey! Hey!)

We know a place where no planes go
We know a place where no ships go

(Hey!)
No cars go
(Hey!)
No cars go
Where we know

We know a place no spaceships go
We know a place where no subs go

(Hey!)
No cars go
(Hey!)
No cars go
Where we know

(Hey! Hey!)
(Mom, Dad!)
(No go!)

(Hey!)
Us kids know
(Hey!)
No cars go
Where we know

Between the click of a light and a star of the dream
Between the click of a light and a star of the dream
Between the click of a light and a star of the dream
Between the click of a light and a star of the dream

(Let's go!)

Sexta-feira, Outubro 20, 2006

Formalismos para que vos quero?

Sinto-me desperdiçada.
Sinto que eu própria me desperdiço com o nada. Com o sol, com esperas, com ideias parvas, sem ideias, com mãos muito frias e coração demasiado quente. Com sonhos, com imagens, com livros, com expressões, com passeios.
Sinto demasiadas vezes vontade de desertar daqui onde inúmeras ansias, utopias, acções sem nexo tomam o rumo dos meus dias.
Quero tantas vezes andar sozinha lá por fora. Quero ir para o outro lado do mundo ver se é lá que existe o meu encaixe perfeito ou se simplesmente nunca existirá algum outro lugar em que eu me aproxime do "completo", se estarei sempre numa incessante procura.
Mais cedo ou mais tarde acabarei por cair numa resignação que me ocupará o resto do tempo.
Estou farta de pensar com coração. Quero cumprir objectivos ao contrário de me andar a arrastar feita diletante.
Determinação precisa-se.
Não sei o que é aceitavel dizer ou fazer, o que é que implica o quê, o que esperam de nós ou não. O que temos que cumprir para sermos aceites na normalidade do que nos rodeia. Não sei as vezes sinto que esperam de mim um pouco mais de.. tacto? para as relações humanas
Talvez tema o inconveniente. Tenho demasiado medo de ser rejeitada. E o que é isso? Medo do ridiculo? Uma facada no orgulho?
E isto tudo porque a semana fez-se cinzenta e hoje num fim de tarde o Sol apareceu reflectindo-se em todas as ondas enormes que se galgavam umas às outras, em todas as poças de água, deixando transparecer o céu azul que contrastava com o cinzento escuro do meu pavilhão. Nem um croissant quente foi capaz de me impedir de ter uma sensação enorme de estúpida solidão. (e os croissants fazem maravilhas!)
Sinto-me idiota ao ponto de me permitir falar sozinha tentando afastar alguma insegurança que se aproxime.

Inimaginavel o quão indefinido se está cá dentro...
resultado final = linhas tremidas, riscadas.
O que é que define a nossa vida toda?
O coração ocupa demasiada memória.
E eu só gasto a minha memória com letras de músicas.
(- Pensas muito em mim?
- O suficiente para saber que gosto de ti)

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

Na na na na na na na na na na


Final Fantasy - Peach, Plum, Pear (Cover)


Joanna Newsom - Peach, Plum, Pear (Original)


We speak in the store
I'm a sensitive bore
you seem markedly more
and I'm oozing suprise.

But it's late in the day
and you're well on your way
what was golden went gray
and I'm suddenly shy.

And the gathering floozies
afford to be choosy
and all sneezing darkly
in the dimming divide.

I have read the right books
to interpret your looks
you were knocking me down
with the palm of your eye.

Go Na na na na na na na na na na
na na na na na na na na na na
na na na na na na na na

This was unlike the story
it was written to be
I was riding its back
when it used to ride me.

And we were galloping manic
to the mouth of the source
we were swallowing panic
in the face of its force.

And I am blue, I am blue, and unwell,
made me bolt like a horse.

ooh, Na na na na na na na na na na
na na na na na na na na na na
na na na na na na na na

Now it's done.
Watch it go.
You've changed some.
Water run from the snow.

Am I so dear?
Do I run rare?
And you've changed some:
peach, plum, pear.

Domingo, Outubro 15, 2006

Nouvelle Vague e Final Fantasy no mesmo fim de semana

In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrified

So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing.

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

(Nouvelle Vague - In a manner of speaking)

E o concerto destes senhores voltou a ser particularmente maravilhoso, após me terem encantado no Sudoeste. Elas teatralizando e o contrabaixista.. hihihi :)

Hoje segue-se o projecto Final Fantasy. Outro genio de violino e pedaleira às costas, o grande violinionista dos Arcade Fire, que vem do Canadá deslumbrar uma vez mais. Gosto dele, ou então foi a tshirt que ele tinha no Sudi ;)
Espero ansiosamente cantarolando que chegue as 10.30pm..

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

Eu ninguém, eu ninguém comigo só

É que eu sei

o que eu sou e o que não sou,

mas é claro,

o que eu for eu sou

sem ninguém,

só o que eu tenho a saber

é quem de nós cem

hoje eu vou ser.

sei lá sei lá

sei lá sei lá

sei lá sei lá

sei lá...

(Clã-Eu ninguém)

Terça-feira, Outubro 10, 2006

Eu? Em silêncio de páginas, mas a música faz-se ouvir

E acabei de ler o primeiro livro da trilogia Sevenwaters e fiquei maravilhada por todo aquele mundo fantástico de criaturas encantadas e ilhas selvagens, dos Bretões e dos lagos Irlandeses, das lendas celtas e da história de amor, confiança e determinação. Fiquei triste. Há dias que andava pegada ao livro sem conseguir fazer muito mais e a dois capitulos do fim a historia de amor acabou (por enquanto) e perdi a vontade de ler o resto. Ás vezes somos assim, deixamos o nosso mood ser comandado por paginas repletas de palavras, contos, verdades e existem tantas, todas diferentes, dependem apenas da maneira como se começa a contar a história.
Á Cat por me ter dado este livro, estendendo-me a mão para esse mundo adornado de encantos que nos ajuda a contar a nossa história sempre com mais cor.
São precisos mais livros assim, que me prendam, que me façam ter vontade de os ler sem parar para respirar, e não se juntarem à pilha de livros inacabados que vão preenchendo o chão do meu quarto.

E não sei, esta música em repeat. Apenas palavreada tristemente. Retirei-a do filme "The life aquatic with Steve Zissou" - um incentivo à oceanografia através da fantasia? Quem sabe.. Eu não.


The zombies- the way i feel inside

should i try to hide
the way i feel inside
my heart for you?
would you say that you
would try to love me too?
in your mind could you ever be
really close to me?
i can tell the way you smile
if i feel that i could be certain then
i would say the things
i want to say tonight

but till i can see
that you'd really care for me
i will dream that someday you'll be
really close to me
i can tell the way you smile
if i feel that i could be certain then
i would say the things
i want to say tonight

but till i can see
that you'd really care for me
i'll keep trying to hide
the way i feel inside

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Memórias que se tornaram pegadas

Matilde colocou-se entre as cortinas caidas e a grande janela de vidro virada a Sul, que dava para o terraço de granito construido sobre as rochas já existentes.
Estava tão próxima do vidro que deixava de conseguir ver o seu reflexo, ficando apenas com a imagem duma imensidão de mar texturado de diferentes cores e brilhos, vendo a sua respiração embaciar o vidro. Gostava destes dias em que se metia ali com as mãos abertas sobre a superficie lisa do vidro e deixando o sol beijar-lhe a pele. Fechava os olhos e ficava como um painel solar a absorver tal energia vital. Depois, quando abria os olhos tudo era muito branco, com pouca nitidez. Andava então de olhos semicerrados pensando que deambulava por um desses sonhos num dia de inverno com muito sol e um frio cortante que a faz esconder em cachecois e golas altas, de tal modo que ouve a sua própria respiração.
Noutros dias deixava-se fustigar pela humidade do mar e ia passear pelas rochas, já com os cabelos molhados da chuva e então gostava de sentir os subtis caracóis na boca.
Sempre sonhara viver naquela casa. Tinha-la desenhado e que estranho que era ver o seu sonho de criança cumprido, como um castelo de areia que não se desmancha por mais ondas que lhe batam. Afinal esse sonho não seria certamente feito de areia. Estava ali, real, uma casa branca, de traços rigorosmente geométricos, rodeada da imensidão e plenitude nesse vértice de mar, terra e ar.
A casa aproveitava o declínio da encosta e estendia-se sobre o mar. De manhã soprava um vento de Este que trazia o cheiro do orvalho da vegetação rasteira. Afastada de tudo e de todos, deixava que músicas celtas lhe enchessem a sala e ela sentada sobre as rochas ouvia a música ao longe a propagar-se lentamente até ela, trazendo um leve ondular das cortinas. Havia dias que as ondas gemiam nas rochas, já ásperas de tanto serem massacradas, e então a casa enchia-se de um cantar triste, fazendo-a questionar a opção de ter seguido o caminho traçado na sua cabeça, mesmo que isso significasse fazê-lo sozinha.
Por coisas pequenas, por muitas coisas, por elas significarem tanto, tinha-se envolto num mundo repleto de memórias que dava demasiado valor, criando um estado de perfeição platónica que nunca se atinge em vida real mas mesmo assim fazia dele modelo a seguir. Tantas vezes tinha pegado em búzios levando-os ao ouvido, e se deixado fascinar pelo som imaginário das ondas do mar. Apanhado dentro de água pequeninas pedrinhas lisas de xisto e metido-as à boca. Lembra-se de uma vez ter-lhe entrado areia para os olhos e a mãe ter lambido o olho. Acho que é um gesto tão tranquilizante e cheio de carinho. É como nos começarem a cantar quando choramos inoportunamente a frente de alguém.
Matilde acordou para o exterior quando deixou de ouvir música. Fechou então o livro que o vento entretanto já tinha folheado e voltou para dentro pensando que cd pôr. Deu uma olhadela e retirou o cd dos Air. Pegou na mochila e nas chaves do carro e a Universal Traveller ecoou indefinidamente na casa vazia.

Domingo, Setembro 24, 2006

Mum - we have a map of the piano



Num domingo isto faz tanto sentido..

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

O teu mundo chove no meu

O teu mundo chove no meu. Chove assim, estupidamente, no meio da Primavera. Eu sei que, durante todo o dia, o sol foi uma presença discreta. As nuvens tornavam todas as cores apenas derivações do cinzento. Às vezes sentia-me sufocar, porque o calor e o ar abafado eram um manto pesado à volta do meu corpo. Tocas à campainha e não sei como posso sentir o meu coração a bater tão forte. Vou abrir e convido-te a entrar. Estás diferente. Tão diferente. E eu gosto da mudança. Entras e o teu cheiro, novamente um estranho a esta casa, começa a espalhar-se.
Guardei tudo o que ainda tinha teu na caixa ao lado da secretária. São cinco horas. É primavera. E, de repente, sem aviso, o teu mundo chove no meu. É uma chuva lenta, as gotas de água parecem queimar. É uma chuva de memórias emaranhadas. Sentas-te na cama e falamos das nossas novas vidas. Há tanta coisa que escondemos. E vê-se, no lugar que fica atrás dos olhos, tudo o que escondemos. É como se estes quisessem saltar da órbita, enquanto falamos, e contar todos os segredos.
Vejo a linha das tuas costas sobre a brancura da colcha. Deito-me ao teu lado e falo-te ao ouvido. Baixinho, muito baixinho. Falamos sobre as senhoras que fizeram este momento. Sim nós sabemos que a nossa estória, a estória de todos, é escrita pelas velhinhas da casa amarela junto à ponte. Ali, virada para o sítio onde o rio é mais azul e reflecte mais o sol, existe uma casa que tem uma cave. Na cave ficam, todos os dias, todas as horas do dia, as senhoras que tecem o destino. Não o escrevem em papel. Não usam tintas visíveis. Mas não há acasos. Tudo é previsto naquelas linhas coloridas, determinado pelas agulhas de metal compridas. Têm todas o cabelo branco, estão sentadas em cadeiras de tecido florido, daquelas que os emigrantes levam para a praia. As luzes da cave estão sempre acesas. Porque já não existe graduação de lentes que lhes permita ver bem. Atrás daqueles óculos enormes e grossos, vêem cada vez pior. E as cores, as linhas, o destino que tecem, tudo lhes parece mais indiferenciado, desfocado.

Sorrimos a falar disto. Não foi o acaso que nos juntou. Não foi o acaso que nos separou. Foram as velhinhas que se enganaram e, entre o som cadente das agulhas, nos deixaram esbarrar um no outro. A água acumula-se no meu mundo. Quando abro a porta e sais com a caixa das tuas coisas, sais na enxurrada da tua chuva.

Encontrado aqui

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

The Kooks- Naive (acústica)

Fechei a porta, sentei e chorei.

" E tantos são os momentos juntos que é dificil aceitar que não mais haverá a nossa partilha tão completa. Que nós, como rodas dentadas completando-se 360º, optamos pelo confortável caminho traçado e já tão gasto. Desde que entreabrimos a porta deste mundo, que pela intensidade com que éramos puxados para esse vórtice de êxtase, de sentir tudo com todos os infinitésimos e toda a invulgaridade da situação, que lentamente se foi aconchegando um travo de efémero.
Tantas são as vezes que me assaltam imagens das nossas fugas, do jantar no litoral alentejano, já não contrapondo o que nos estava acontecer, de tantas estrelas cadentes passarem por nós nas longas noites que já se afeiçoavam a nós, da sopa no porta bagagens num entardecer naquele fim do mundo repleto de árvores, das falésias por cima das praias num fim de tarde de verão, da longa caminhada nocturna pela estrada nacional da Ericeira, do acordar ao som de Air na praia de Santa Cruz. Não sei, sinto que vivi mais num mês que em tantos outros anos da minha vida. Vi que sou capaz de sentir e isso fez-nos tão bem..! De cantar contigo a música dos Kooks e ter me sentido tão em sintonia contigo. Fizeste com que eu quase menospreze as história de amor dos filmes, porque a nossa é tão ou mais grandiosa! É tudo tão perfeitinho enquanto deambulamos no nosso mundo e ao mesmo tempo com tanta maturidade! Mas quando fechamos a porta atrás de nós e olhamos de frente para a realidade, tudo isso nos parece tão longe. Aparece então a melancolia, a racionalização, a culpa, os defeitos, o futuro tão inexistente.
Gosto de ti e isso só interessa no presente." - Matilde parou de escrever. Leu e releu. Qualquer história de amor tem que ter algum fatalismo - pensou. Seria então a primeira página do seu primeiro romance.

Terça-feira, Setembro 19, 2006

Raquel - Ornatos Violeta

Quem diria,
Que um dia,
Voltava a ver Raquel,
Fiquei parado e pouco lhe falei.

Há quanto tempo não te via,
Julguei até já ter estancado a hemorragia,
Mas ao que vejo o tempo não passou,
Como era bom,
Contar-te o que eu sentia,
Mas vejo que a conversa vai ficar p'ra outro dia,
Por hora só me sai:
Raquel.
--

Acho que todos temos "Raqueis".. não? pronto, sou só eu.
(e voltar a sentir o teu cheiro..! Que desarme.. )

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Today the words don't mean enough for us to say

Hoje voltei ao sítio da minha fotossíntese. Vi-me tantas tardes ali sentada à tua espera. E que bem que me sabia, que sensação de adrenalina de te ver chegar e eu sorria. Escondia bem? Não sei. Sentia-me tão menina com esses sentimentos tão secretos!
Hoje foi diferente, não havia sol. Sentei-me e fiquei para ver se juntamente com as memórias viria também esse sentimento estupendo que me dava alento para a semana inteira.
E fiquei à espera.

Terça-feira, Setembro 05, 2006

Viajar no (meu) universo


Volto a abrir a porta do meu quarto e continua exactamente no mesmo estado caótico em que o deixei no dia do meu último exame. Este verão o tempo correu diferente. Continuei com horários, trabalho, poucas horas de sono. Não parei para olhar em volta e perceber que precisava de tempo. Para a semana volto para a faculdade e este verão não me vai parecer mais que um fim de semana. Eterna repetição do lopping, que corre tão devagar a seguir ao verão e acelera apartir do natal. Não posso dizer que foi mau, foram boas experiências (diferentes) e assim não me foi tão dificil de aceitar um verão sem andar nos campeonatos la por fora.
Até tou bastante curiosa em relação a este 3ºano de faculdade. Voltar a engrenar no estudo, nas horas de transportes, finalmente ter cadeiras que relacionadas com o curso e fazer a análise final se é mesmo isto que vou fazer para a vida ou se inifinitamente vou oscilar na indecisão.
Uma semana de férias bastou-me. Intensa. Não há muito a dizer.
3 dias por Sines, Porto Côvo e Mil Fontes. Os meus cozinhados estupendos (ahaha!!), o céu límpido alentejano das noites quentes a exibir a Via Láctea no seu melhor para o comum humano. O encanto que parte de Tróia percorrendo o litoral português.
4dias pelo Avante. Como fui um dia mais cedo tive tempo para descobrir o grande potencial da Costa. Uma praia infinita desde a foz do Tejo até ao Cabo Espichel. Um comboio amoroso que vai de praia em praia. Ondas enormes. Fiquei maravilhada com um sítio tão fora do comum e aqui tão pertinho da civilização. Depois a eterna Carvalhesa .. taratararara tarararara ahaha, os grande Led On num encantador tributo a Led Zeppelin e o grande Sérgio Godinho a cantar-me "e creio que medos e creio que leis nos colam à pele papéis".
Um maravilhoso dançar no nosso mundo. Foram 730km de mundo a passar em meu redor, de música a perder-se nas janelas abertas e um lento entranhar todos os cheiros.
E uma máquina fotográfica em punho a registar todas essas cores e sentidos.

Domingo, Agosto 27, 2006

Avante! com universos paralelos


A ausência do amor faz-me parecer tudo tão automatizado.
Abro os olhos e ainda vejo o mundo a rodar. Voltei a fechá-los e continuei a sentir essa rápida rotação como se estivesse a cair em algum vórtice.
Acordei contigo a falar-me, quantos kilos, quantos? massa? arroz? perguntas anseosas. Acho te piada. Ou simplesmente adoro o que nos está a acontecer. Amanhã parto a conquistar o mundo com mais uma playlist, uma tenda e muita vontade de férias.
O que é que falta? Que a noite passe rapidamente para amanhã acordar com a sensação que é o primeiro dia de um universo paralelo só nosso em que o passado e o futuro não têm lugar e só os nossos momentos prevalecem. Somos tãooo egocêntricos!
No final da semana Avante.. outra vez.

Sábado, Agosto 19, 2006

Num dia igual a todos os outros..


Vem uma noite diferente de todas as outras.

Terça-feira, Agosto 08, 2006

Eu ostrinha, com a cabeça a Sul


Pois foi e o Sudi acabou. Foram 5dias encantadores. Passeava pelas praias da costa vicentina, punha me debaixo de água a ver as ondas passar la em cima por mim e ver os remoinhos que deixavam, vi concertos fantásticos que passavam a correr,entre eles os geniais Zero7 (ainda tive um lugar às cavalitas de 2 marmanjos em 2músicas!) e o extâse com os Daft Punk, o concerto arrebatador de Nouvelle Vague, o génio de Final Fantasy, o tímido Jose Gonzalez, a estranha descoberta de Prodigy, os X-wife e os the kooks, os queimados dos Quaiss Kitir. Enfim, é sempre bom ver concertos de quem se gosta e descobrir novos gostos. Não tenho jeito para dizer o que me faz gostar de um concerto. Sei que depende do que sentimos. Só sei que esses concertos acabavam quando eu pensava terem começado mesmooo "à pouquinho"! O carro que mudou de cor e as horas que demorei a lavá-lo para estar apresentável quando viesse a inspecção maternal. Ás dunas dentro dos bolsos da roupa e o jazz ao vivo no bar ao lado da tenda ao final da tarde. Foi a minha semana de férias, mas cá dentro ficou a vontade de voltar ao Algarve sem horários e sem concertos, só aquele saboroso descobrir de praias recônditas e entardeceres frios a vestir uma "sweat" quentinha.

Hoje vieste almoçar comigo. Era o teu dia. Sentaste-te na cadeira vazia a minha frente e ficámos calados. Olhavamo-nos casualmente. "Love will tear us apart" Esta música... a letra não me diz muito mas o que me soa é tão maravilhoso (na categoria de magnífico! lembras-te?) Pudia ser uma banda sonora das nossas horas. Passo os dias a ouvi-la na minha cabeça.. tem som das ondas de fundo e faz-me lembrar de ti. Enquanto ouvia Nouvelle Vague no Sudoeste oscilava suavemente no seu som e regressaste a mim. Boa noite

Quarta-feira, Agosto 02, 2006

E é já amanhã que parto para o Sudoeste. Esta semana vão ser as minhas férias. Estive a gravar um cd rotulado de Sudi que me acompanhará. Vai ser fixe. Pegar no carro e ir por onde me apetecer. Sozinha. Quem quiser que se junte.
Acabei de meter o rolo na máquina fotográfica. Adoro aquele estalido que dá quando fecho a tampa. Estou ansiosa de sair deste Cascais que me aborrece, sem ti cá não há o factor surpresa de te puder encontrar na rua, a expectativa do ocasional. Mesmo assim o céu sobre nós é o mesmo. Mas espero com este espairecer despegar-me um pouco de ti. E não tem que ser necessariamente mau. Vai ser bom até.
Quando regressar vou voltar a trabalhar em força, promovendo com grandes sorrisos a Via verde e dando longas e entediantes aulas de vela. Continuemos..
Zero7.. vou vê-los lá no festival.. tenho que te mostrar acho que ias adorar.

Segunda-feira, Julho 31, 2006

Estás a Sul de mim..

Casas onde já vivemos. O que nos dizem?
Abrir o portão, olhar as modificações exteriores e do topo das escadas vislumbrar a piscina. Memórias. Vão e vêm. Saltei lá para dentro para voltar a sentir a sombra daquela água. Inteiros fins de tarde passados sozinha ali a conhecer como o meu corpo reagia a horas consecutivas dentro de água, a contar aqueles azuleijos pequeninos, a dar demorados mergulhos e deitar-me no fundo da piscina olhando para o exterior através daquela camada densa de água. Lembro-me de andar na escola primária e passar a minha hora de almoço na piscina, comendo à pressa já só no caminho de regresso à escola. Ainda não me tinha atrevido a entrar dentro de casa. Passaram-se uns anos desde que tinha fechado aquela porta atrás de mim. Enrolada na toalha, a tiritar. Percorri cada divisão da casa, abrindo portas, armários, portadas. Uma casa vazia. Não olhava demoradamente, quis só percorre-la antes que algo passado se apoderasse de mim.
Parei. O barulho que os meu pés descalços fizeram a subir as escadas. Ouvi-me, tantas vezes subindo aquelas escadas correndo para o meu quarto, ofegante. Abri a minha porta e vi-me nos dias em que me escondia dentro do armário encolhida à espera, tardes inteiras, que dessem pela minha falta. Eram horas metida no meio da roupa, agarrada aos joelhos, a ver-me de fora e a sentir-me tão idiota. Tão pequenina e orgulhosa. Desistia e ia-me deitar. Sentia-me sozinha naqueles fins de semana com ele. São sempre as recordações tristes que se vêm afeiçoar ao vazio da casa. Talvez se estivesse preenchida me teria lembrado, de como adorava pôr a tocar a minha cassete dos beatles antes de adormecer e como nunca adormecia antes de chegar ao Lado B.
Fui ao sotão, ainda lá estavam. As minhas estrelas fluorescentes coladas anseosamente no tecto. Foi onde a minha Via Láctea começou. Que bom.
Voltei a fechar a porta.
Ás vezes achava que era por passar tempo demais sozinha que pensava demasiado. Que por isso me tornava num ser taciturno. Afinal, o sozinha não é físico. Tenho um pedaço de solidão que me acompanha e uso-o sempre que o que me rodeia é simplesmente o que não quero. E não me importo.
Todos nós somos como casas vazias, à espera de alguém que entre e nos preencha.

Terça-feira, Julho 25, 2006

Para que sorrir seja sempre vulgar

Ele veio a pingar do banho e Matilde nem ripostou. Estranho. Continuava deitada na cama com a cabeça caida. A voz frágil da música inundava o quarto cantando "today is a winter sunday".
- Então, vais ficar aí o dia todo?
- Deixa-me ouvir a música.
Tomás chegou-se e sacudiu a água do seu cabelo para cima dela. Ela continuou absorvida no seu mundo. Então sentou-se junto dela a contemplá-la e pensando como podia tentar afastar a melancolia dela que tornava o ar difícil de respirar. Cobriu então ambos com os lençóis, ele sentado fazendo uma espécie de tenda. Sabia como ela adorava ver a luz trespassar o branco e o momento encher-se duma claridade maravilhosa. Matilde tinha-lhe dito que fazia-a lembrar a Alice no País das Maravilhas, e todos os sonhos de infância, como se tudo se passasse numa nuvem. Só a pele contrastava com o branco. Então ela esboçou um vago sorriso e perguntou-lhe distraída quando é que ele deixava crescer outra vez os caracóis.
- Não sei, um dia destes
- Tenho saudades de entrelaçar os dedos no teu cabelo - continuando com um olhar distante. Tomás sorriu e ela continuou:
- Ás vezes tenho terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo como aquele poema de Sophia de Mello Breyner..
- Olha Matilde, estás a ver o ar sufocante que está a ficar aqui debaixo? Este é o ar que enche a casa quando tu estás assim, quando eu sei que isso são coisas tuas, nalgum pedaço de solidão em branco, e que há pouco que eu possa fazer para ajudar. E eu também vivo nesta casa!
- Desculpa. Não gosto de o dizer em voz alta mas.. estou triste. Não sei porquê. Há sempre motivos para nos sentirmos felizes, mas as razões desvanecem-se quando se trata da tristeza. Hoje acordei triste. Amanhã acordarei extasiada, quem sabe!
- Tranquilo. Vá anda, vamos ver a que é que raios de Sol cheiram.
- E pudiamos também ir comer gelado de côco!
E lentamente o dia foi ajudando a encadear alguma tristeza que insistisse em ficar.

Sábado, Julho 22, 2006

Paralelos?

"Há dias, sabes, em que gostava de ser como o gato e que me tocasses sem desejar encontrar quaisquer sentimentos a não ser o que se exprime num espreguiçar muito lento - um vago agradecimento? - e que depois me deixasses deitado no sofá sem que nada pudesses levar da minha alma, pois nem saberias o que dela roubar."
Pedro Paixão
Repito-me. Penso-te em "repeat", como aquelas músicas que adoramos e ouvimos vezes sem conta, que nos ajudam a preencher qualquer vazio que se faça sentir. Um dia passa a ser outra música e resta-nos aquela saborosa memória dessa fase da nossa vida que aquela música significava tanto..!
(Paraste para me ouvir e senti-me tão transparente.. !)
Penso. Repito-me. Textos imperceptíveis voltam a invadir quem não sonha.
Escrevo no meu corpo. Demorados traços, repletos de carinho e perfeccionismo. Padrões, linhas paralelas que me percorrem a pele confusamente! Ficas para ver se elas se cruzam no infinito?
Tenho folhas espalhadas por todo o lado com palavras tuas e interjeições minhas. (É mais saboroso assim!) Se abrir a janela, elas vão começar a voar e tenho-te então a pairar sobre mim.
Pelo interior do meu bordo ecoam todas estas palavras.
Sempre eu repetindo utopias.. afecto, cumplicidade, partilha.
Sabes, tenho um coração calminho. Poucas vezes o ouço bater.

Quarta-feira, Julho 19, 2006

Na perfeição dos dias sim tu ris, e o teu riso faz sonhar

Fiquei com palavras por dizer. Tantas. Palavras? ou silêncios? Falava sem nexo, escondia a cara nas mãos rindo. Assim te vou introduzindo o "não sentido" da vida. Real.
O que há a sonhar? O que nos apetecer.
Vem sentar-te comigo naqueles baloiços que vimos. Lado a lado não precisamos de nos olhar, mas olha! podemos ouvir e sentir! (Deixas me cheirar te o pescoço?) Depois quando quiseres levantamo-nos e olhamo-nos. E se quiseres não tem de haver "a seguir".. O "para sempre" é tão distante!
Hoje vieste me abraçar quando liguei a música. Encontras-te me deitada procurando por um fio de pensamento que não me levasse a ti. Gracejaste com os meus pensamentos de menina e passaste a mão no meu cabelo despenteando-me. Ahhh como cerrei os olhos faiscando para ti, sorrindo.
Deixas-me pegar-te pela mão e mostrar-te que há vida a latejar em ti?
Amanhã o sono vai me atordoar e só vai restar de ti esta ténue musicalidade. E a música é amor.

Sexta-feira, Julho 14, 2006

A Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
(...)Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(...)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
(...)
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
(...)
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

Álvaro de Campos, 15-1-1928
(o original aqui )

Terça-feira, Julho 11, 2006

Six Feet Under - Singing our lives







Acabou ontem a única razão pela qual eu ligava a televisão. Lembro me de ter começado a ver o Sete Palmos de Terra quando tinha 15 anos. Hoje tenho 20 e nunca me tinha lembrado que algum dia pudesse acabar. Ontem fechou-se esse livro de vida. Apartir de agora não é mais um livro que ainda não acabei.. posso relê-lo mas já sem o entusiasmo de puder encontrar algo novo. Disseram-me "A vida continua como continou para os Fisher". É verdade. Era só uma série mas era também um pedacinho de mim. Ver como estas personagens evoluiram.. ver as suas ambições, ver o que conseguiram fazer da vida, como confrontavam os medos, o continuo acoplamento vida/morte, como deixaram de ser pedras para se transformarem em areia.
A Claire entrou no carro a caminho de New york a pôs a tocar o "breath me" da Sia e toda a vida daquela família nos passou em flash, do futuro, do passado, o Nate a correr no espelho retrovisor dela e tanta coisa mais.. os meus olhos encheram-se de lágrimas, que inevitavelmente começaram a cair.

Domingo, Julho 09, 2006

A cidade queimada

Vem sentar-te a meu lado. Eu meto as minhas músicas a tocar. A ti não te vão dizer o mesmo que a mim mas se quiseres, encostas o ouvido ao meu coração e sentes como ele bate. Então, será o mais próximo que te posso mostrar do que sinto quando as ouço.
Fala-me. Gosto de te ouvir. Fala-me de ti, entreabre essa cortina e ficamos aqui debruçados a ver as memórias passar em flash. Vais gostar. Vais recordar, rir-te de ti próprio. Vais te ver a mudar, que longa evolução! Afinal não foi um dia que acordámos e estávamos mais velhos, foram os anos que passaram, que nos fizeram maiores, de pele mais gasta, com menos espaço na memória, com mais rotações em torno do Sol. Um inteiro universo compacto que agora me podes transmitir. Com o decorrer da minha vida posso descompactá-lo e decifrar o que me dizias.
Vem até à janela cheirar a noite. Ouves o murmuro da cidade? Permanentemente tu. Aqui e ali. Treme me a voz. Não falo. Estranho ser esta imagem tua. Fico feliz pensando em ti sem saber sequer para que me serves. Desencanto-te num Tango que soa através duma porta aberta.
Fico triste. Fico triste sem razão. Em redor tudo se torna desfocado e ando por aí, deambulando em redor do meu metro quadrado.
Infinitamente apanho as folhas caídas.

Quinta-feira, Julho 06, 2006

A Song of Two Human Beings

Conhecemo-nos 3 anos antes.
Eu estava num alfarrabista em Paris, quando ela entrou e derrubou metade dos livros duma prateleira com a sua mochila
- Merda - deixou escapar e continuava baixinho enquanto apanhava os livros do chão - estúpida, estúpida, estúpida.
Não sei se foi a sua figura meio aluada no meio dos livros ou da luz que entrou quando abriu a porta, que me fez permanecer mais alguns segundos a olhá-la. Eu continuava a folhear um livro "Viagem aos confins da Ciência" de 1944. Sempre me fascinou comparar o que, em certas alturas se pensa que é o inantigível e a ficção científica e ver se na actualidade sempre se atingiram essas metas. Ela parou a meu lado e vasculhando a estante, tentava insistentemente retirar um livro da prateleira mais alta. Esticava-se, mordendo o lábio inferior. Decidi ajudá-la e retirar o tão querido livro.
- Merci - disse sorrindo num misto de espanto e agradecimento
- De nada
- É português! - murmurou - Os meus pais fizeram-me pequena, o que e que se há de fazer! Então, e o que faz por cá? - mostrando um à vontade que me fez rir
- Vim cá a uma conferência
- Conferência de quê?
- Física de particulas.
- Ahh um físico!! Muito bem! - gracejou. Fiquei sem perceber o porquê do riso.
Chamava-se Matilde. Era desenrascada a falar, ou então era só o nervosismo de estar a comunicar com um estranho. Ficámos meio à conversa e acabámos por andar de rumo incerto pela cidade. Tinha umas expressões cómicas. Fiquei a saber que tinha tirado arquitectura e estava em Paris a acabar o mestrado. Ao ver-me prender o olhar numa loja de souvenirs, voltou-me a assaltar com as suas perguntas ofegantes e muito pouco formais:
- Prenda para a mulher? Namorada? Amiga? Filha?
- Filho, queria levar alguma coisa mas não sei o quê, talvez uma dessas "Torre Eifel" em miniatura..
- Prenda típica de um divorciado que não vive com o filho. Essas estupidezes em miniatura são prendas tão impessoais... Quer dizer, digo eu!
- Tens ideia melhor?
- Não é pela prenda que ele vai gostar mais de ti ou não, eu tambem não sei qual é a situação mas olha porque não lhe dás um caleidoscópio? Sei de uma banca ali à beira do Sena repleta deles. Eu adorava quando era pequena, e secretamente, continuo a adorar ver as infinitas combinações e padrões criados. Que idade tem ele?
- 7anos. Pois, não sei..
Éramos ambos de Lisboa. Aquele Sena reluzia na miúda uma jovialidade que me deliciava. Acabámos por passar a noite juntos, no seu pequeno quarto alugado em Montmartre. Das coisas que ainda hoje dou imenso valor e penso que foi nessa noite que descobri tal prazer, é adormecer agarrado à essência do seu cabelo. De manhã comemos um 'croissant avec beurre' na Brasserie ao fim da sua rua, trocamos emails. Eu tinha avião de regresso a Portugal, à hora de almoço.
Trocavamos pontualmente mails. Ela que estava a acabar a tese, e eu pouco tinha a contar de novo dos meus fermiões.. eles não iam a lado nenhum. Tinha tempo e menos entusiasmo do que quando me tinha formado. Acho que acaba por acontecer com cada um nós. Somos uns entusiastas ao principio no oficio e irradiamos a nossa paixão pelos arredores, mas passados anos de trabalhar no mesmo com evoluções minimas, perdemos a urgência do interesse. E talvez fosse essa vivacidade nela que me fazia despertar em alguns recantos. E isso era bom.
Quando ela voltou a Portugal, combinámos um café. Raramente os encontros de uma noite resistem a uma segunda, mas nós fomos a excepção à regra.
Não sei, somos dois seres tão tranquilos. Nada parecidos mas completamo-nos com uma cumplicidade invejável.
Reparei que quando estou fora, ela lê os meus livros. Achei piada, e quando a confrontei disse-me distraidamente que era um pedacinho de mim a que se pudia agarrar e que a punha mais perto fisicamente de mim na minha ausência. Mas ao mesmo tempo não gosta de ficar sozinha e aproveita para ir passar uns dias a casa dos pais.
Ela sabe como em alguns domingos fico mais catatónico quando vou levar o miúdo a casa da mãe, e então insiste em encher-me de cultura e não pára de falar para me entreter o espírito, sem deixar que alguma melancolia me consuma.
Também sei pegar-lhe ao colo quando ela adormece de cansaço por cima de algum calhamaço, e sei como adoro vê-la no seu estirador quando a trabalhar me esboça algum sorriso. Adoro vê-la dormir, seguir a curva do seu peito, e a cara que faz ao abrir um olho e ver que está a ser observada escondendo-se debaixo dos lençois.
É um amor infantil e adulto. A paixão precisa dos dois.

Quarta-feira, Julho 05, 2006

Passei Toda a Noite

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distração animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.

Alberto Caeiro

Quarta-feira, Junho 28, 2006

Como imaginamos os espaços de partilha?

Tenho saudades.
O meu é um espaço banal mas quando começamos a falar a imaginação preenche logo o cenário. Imagino-nos deitados na rede pendurada no nada com uma enorme seara sobre os nossos pés e o vento fazendo aquele burburinho no trigo. Enquanto isso um céu azul que vai girando sobre nós, que ambos sabemos que é só uma consequência da difracção da luz nas gotículas da atmosfera, mas que não deixa de nos maravilhar. Continuamos despreocupadamente a conhecer-nos. Os medos, as rotinas, as formas das nuvens que passam por nós, o quão quente está o nosso coração, a física do mundo, o estranho passado, a resignação ao futuro, a pele bronzeada pela matemágica das estrelas, o encostar da cabeça no seu ombro quando o cansaço me consome.
Às vezes estamos neste espaço e não falamos. Também é bom estar ali no silêncio, usufrindo unicamente da presença física, lendo um livro que ele também lê por cima do meu ombro. Outras vezes rindo-se e arrumando carinhosamente com a sua mão, os cabelos que me caiem para a frente dos olhos e que eu concentrada não tenho paciência para os tirar soprando-os em vão.
Somos nós que fazemos a música desses momentos. Andamos de mão dada num caminho solitário. Quem nos ouve diz que desperdiçamos o tempo em caminhos sem nexo, em imaginários que de real têm muito pouco. Constantemente agarram-nos por um pé quando pensamos já não estarmos sob acção do campo gravítico da Terra e flutuamos. Se somos felizes por momentos, que mal tem isso?
Sabe tão bem..

Segunda-feira, Junho 26, 2006

20 de mim!


Num dia de Junho, 92% a 95% de encoberto lá fora.
Doi-me a cabeça.. acho que estudei demais e continuo sem saber nada.
Hoje nasceu uma túlipa no meu quintal, linda, timidamente mostrou-se! A semente holandesa que um dia foi, hoje passou à fase seguinte.
Cartões com frases lindas que só neste dia ganham forma, palavras alegres em discursos tristes. A introspectiva? Fica para outro dia.

Hoje o mar sou eu! e algum sol brilhará, quer no exame ou num vestido!

E o que faz o beijo de Klimt aqui? Nada.. adoro este quadro.

Quarta-feira, Junho 21, 2006

The awakening of woman

"Passo já aí"
Porque é que eu ainda penso que algum dia ele chega a horas. Estava eu agarrada à mala, quase a adormecer na fotossintese desenrolada na rede quando ele chega. Saí pelo portão grande que não chia.
- Estavas na rede?
- Sim - ainda de olhos semicerrados devido ao imenso sol que presenciava o cenário.
De olhos fechados observara a cor que a luz tomava nas minhas pálpebras. Era um vermelho intenso e quando experimentava semi abrir os olhos tornava-se branca e a claridade inundava as minhas pupilas. lá em cima as bananeiras abanavam-se com o vento e um padrão de luz e sombra caía sobre mim.
Um almoço como todos os outros com ele.
O banco era alto. Com um pulo sentei-me lá em cima. O silêncio de sempre.. ele brincava com os pauzinhos e eu olhava para o mundo refractado através do copo.
- Então e os exames? Já fizeste muitos?
- Só fiz um.
- Quando é o proximo?
- Segunda-feira.
- E a vela?
- Está lá no sítio.
- Então e o que tens feito?
- Estudado.
- Hm.. nas férias queres fazer uma regata à Madeira?
- Tenho que trabalhar, a ver se para o ano faço umas férias fixes.
- Olha vou acampar para o gerês agora estes dias.. Vou levar a míuda a acampar pela primeira vez.
Um nó na garganta... era um hábito nosso acamparmos pelo mundo fora e agora ele passa o testemunho à família feliz.. que seja, sou demasiado egoista no que toca a memórias. Ahhh lembro-me de com 2 anos ter fugido da tenda num parque de campismo na Jugoslávia e o guarda nocturno me ter encontrado. De manhã os meus pais foram me requisitar. E a água salgada do adriático nos olhos... o que uma criança com 2 anos retém passados 18 é extraordinário!
Depois de um telefonema, constatou a data e as horas..
- Então é já 2ºfeira que fazes anos! Vamos almoçar?
- Tenho um exame, já te tinha dito.
- Hum ok.. Jantar?
- Já tinha dito à mãe que jantava com ela, mas pudias jantar connosco, assim eu não tinha que tomar nenhum partido.
Ele riu-se e não respondeu.
Não é nenhuma utopia minha que os meus pais se juntem, mas estupidamente às vezes tenho vontade de tar com os dois, saber que ambos vão estar comigo ao mesmo tempo, sem que nenhum deles seja uma parte fragmentada da minha vida sem conexão com a outra.
Brincava com o sushi entre os pauzinhos.. adoro sushi. Por mim davam-me dois japoneses com cara de boneco animado a fazer sushi e eu era feliz. (ui que visão tão imperialista!)
- Viste o jogo?
- Não. No sábado estava triste.. eu não funciono em dias cinzentos. Fui isolar-me ao ar livre a ler o Principezinho.. há anos que não o lia. E a percepção que se tem do livro quando se lê com 5 anos ou com 20 é tão diferente..
- Já fazes 20 anos? (e deu-me aquela pancadinha nas costas tão característica dele) Estás crescida!
E calou-se naquela melancolia de quem olha para o tempo que se passa sem ter muita noção.
Ao meu lado tinha um vidro que me reflectia. Olhei-me de lado e realmente parecia quase um ser formal naquele almoço. Já uma ideia completamente diferente tive quando me voltei a olhar enquanto em silêncio nos lambuzavamos com gelado de chá verde..
Já na estação à espera do comboio os cabelos soltos esvoaçavam aletoriamente à minha frente. O vento na água apoderava-se do azul da baía. É este Cascais que adoro.. e a luz sobre a Guia.
Tinha pensado em abrir a porta e dizer "Boa tarde, O solstício trouxe-me!"

Sábado, Junho 17, 2006

Alguém que pegue em mim e me meta na reciclagem

Dou por mim a cantar baixinho quando tento adormecer, quando se passam horas e o sono não vem, quando vejo a luz do luar atravessar a parede do meu quarto de uma ponta à outra e continuo acordada. Quando me entrelaço no edredon frio e penso que estou aconchegada.
A cama já não tem bocadinho frio, e começo a questionar a minha tranquilidade. Sento-me na cama com as costas na parede fria, com os joelhos contra o peito e olho para as almofadas deformadas aleatoriamente.
Ligo baixinho a música. Estabiliza-me numa linha de pensamento que espero que dê em sono. Mas não. Faz-me sentir e questionar. Faz-me querer falar. Não falar.. Partilhar o turbilhão que se faz sentir cá dentro. De, no silêncio, me ouvir o coração bater. Desligo a música, não é ela que me vai pôr a dormir. Vai ser o cansaço de tanto pensar, de tanto procurar posição para dormir. Até lá só me resta esperar que o Sol nasça. Depressa.
Por isto tudo, por ter pensado o tudo e ter chegado deliberadamente ao nada! Como uma oportunidade virada do avesso.. Há tantas vezes que vivo a vida vegetativa do pensamento!

Quarta-feira, Junho 14, 2006

É que eu ando tão perdida, eu já tinha decidido ser feliz para sempre


"- Quantas linhas mais vou ter de ler, das que escreves para me dizer quanto medo tens de abrir mão do medo e mergulhar no caos?
- Eu vou parar quando eu sentir não haver motivo algum para negar!
- Não divagues! Diz-me que sonhos tens! Diz-me o que vês!
- Sonhos é ter o poder de escolher a melhor ilusão..
- Oh.. Tu também.. Não há nenhum momento que queiras agarrar, que não queiras que desapareça?
- Eu não sei o que eu quero! É por isso que eu procuro..
- Parece-me que mergulhas bem fundo para fugir do que sentes
- Talvez, mas sentir não é mostrar..
- Olha, abre a janela e cheira. Vê como vibra para ti. Isso não te dita o rumo da razão?
- Só que eu já não sei.. Mudou a força da razão e não fui eu que a mudei. E eu tenho tanto para dar...
- Anda. Dá-me a tua mão e vamos ser alguém. No fundo a vida pode ser feita para nós!"
(frases de Pluto e Ornatos coligidas por mim)

Terça-feira, Junho 13, 2006

Matemática cheia de notações ondulantes e nunca falsas!

" Não te percas no meio de superfícies e transformadas. Tenta sobreviver a esse mundo infinito de descobertas, não te esqueças que nunca poderás saber tudo, não desesperes! "

Mas eu quero saber tudo!!
e sinto-me tão incapaz..

Sexta-feira, Junho 09, 2006

O meu amor existe!

A infantilidade de Kandinsky é genial.


ahhh e apaixonei-me ...
Começo a repensar a relatividade.. Afinal é o tempo que se contrai nos momentos que eu mais queria que se dilatassem.

Segunda-feira, Junho 05, 2006

Quanto amor imperfeito há nesses perfeitos momentos

Ela passeava sozinha pelas ruas desertas.
De dentro de uma janela vinha uma música que lhe era conhecida. As cortinas ondulavam no exterior. Parou. Ficou a observar todo o cenário. Sorriu. Continuou caminhando devagar. Não tinha pressa, não tinha ideia alguma por onde seguir, apenas queria espairecer. Andar pelo mundo.
Chegou a casa. Gostava desse ritual de tirar lentamente os brincos antes de se deitar e colocá-los na mesa-de-cabeceira. Era uma maneira de ao acordar e olhá-los, voltar ao pensamento onde ele se tinha exactamente desvanecido. Encontrava especial prazer em deitar-se por cima da cama feita e ficar a ouvir alguma música que se lhe entranhava.
Recordava. Tinha-o impulsivamente abraçado e largando-o com igual rapidez, baixado os olhos envergonhada. Ele então, tinha-lhe beijado a testa com tal carinho que ela foi capaz de o olhar nos olhos e sorrir. Ele passou-lhe a mão pelos cabelos. Não havia nada para dizer.

Sexta-feira, Junho 02, 2006

Quem ouve música sente a sua solidão imediatamente povoada

Ontem foi dia da criança!! Repleto de desenhos animados e coisinhas pequeninas a condizer com seres pequenos e estridentes. O último dia da criança que me lembro, ainda morava em Cascais e estava a chover. Andava na escola primária e vim a casa almoçar. Almocei na sala e tinha um presente no prato. Uma pulseira de madeira colorida. Nada mais persiste.

Não sei. Quando vou a casa do meu pai e sou confrontada com aquela realidade de família feliz fico estranha. Sinto-me um passado distante da vida dele. E quando janto lá e me convidam a dormir no sofá penso sempre se algum dia voltará a existir um bocadinho de antigamente. De acordar e ir para a cama dele e ficar lá a dizer babuseiras matinais ou simplesmente voltar adormecer. De ter atenção como filha e não como a pessoa com quem ele almoça 1vez por mês. Já me entristeci demasiado com tanta coisa. Se ele vive feliz assim, que seja..

Estou Happy Happy Happy!! Quando estamos felizes não há que escrever!! É tão estranho! Andar feliz sorrindo a todos os cantos.. caio na banalidade de me tornar repetitiva e ser aquele ser irritante que saltita alegria!
Não sei.. quero irradiar a minha energia, contar a quem quer ouvir o que me põe feliz, rir-me muito!
" Se Urso Vires Foge Tocando Gaita Para Hamburgo" uma menemónica qualquer para decorar os potenciais termodinâmicos! Os ataques de riso! Os bolsos de trás! "Nada se perde nada se cria e a Diana só se transforma numa anormal compulsiva!" uma realidade da minha presença universitária no departamento de física! O Bruno lá se ri e abana a cabeça quando eu falo de Platão e seus discípulos. De me ver os olhos brilhar enquanto ponho baton protector (de não se sabe o quê) ao sol.

Gosto de quando consigo ser útil, de fazer rir os outros sem deixar de ser eu, de dar facadinhas carinhosas, de sentir que consigo ser interessante, de estar sozinha, de conversar horas a fio. E isto de ter um blog para dizer do que se gosta tem muito que se lhe diga.
Ahhh e os esperados Santos estão quase aí!! Passo o ano todo à espera desses 3 diazinhos nas quentes noites de Junho que me alegram!! Que a religião sirva para algo!! E a Feira do livro!! Percorrer aquelas bancas todas devorando páginas.. que bom. O ano passado saí de lá com um livro de Sophia de Mello Breyner. Primeiro cheirando o livro, desfolhando pela primeira vez e depois agarrando-o orgulhosamente contra o peito. Mas rara é a vez que compro um livro. Sinto sempre que me posso desiludir com o livro. De ter feito um mau investimento. Em geral, tenho medo das más escolhas.
"Eu só queria dançar contigo sem corpo visível"

Domingo, Maio 28, 2006

Gosto de observar a minha mão enquanto escreve

Hoje comi a minha primeira nectarina do ano. Para quem gosta de fruta sabe do prazer a que me refiro. Estava ali com um sorriso a dar demoradas dentadas enquanto deliciada sentia o sumo escorrer-me pelas mãos. O cabelo insistia em escorregar-me para a boca e eu já só me ria de me estar a lambuzar toda.

"Things seem so much better when they're part of your close surroundings" Cantarolava baixinho desde que o sol apareceu na janela do meu quarto e me acordou. Disseram-me "hm.. Estás contente! - Talvez! É apenas esta música que não me sai da cabeça"
Não sei, os platonismos deixam-me alegre. Basicamente todo o processo de fazer filmes imaginários com as personagens mais estranhas e cenas caricatas faz-me sentir uma plena idiota feliz! E o que eu me rio de mim mesma!

Gosto de cheirar os ombros.

No outro dia, dois noruegueses (que por acaso eu e a Catarina saltámos para o mesmo palco que eles e lá dançámos e cantámos com eles) cantavam "Wake up to a life that's hollow without love" e eu no meio disto tudo consegui ter um desencadeamento de pensamentos que me levou a questionar a veracidade da frase. É que se a verdade está com eles eu sou um buraco negro! Mas adiante!

Gosto de dormir de janela aberta.
De noite estar deitada e ver as sombras da rua percorrerem o tecto do meu quarto.
De manhã a luz entrar sem eu ter de o permitir.
De ver como as cortinas ondulam sem eu sentir brisa alguma na pele.

Costumo acordar com pensamentos no mínimo bizarros. O último da lista, foi ter acordado a pensar qual seria a equação que traduziria a forma que a luz adquiria ao se escapar pelo contorno da minha portada. Ao comentar isto, disseram-me que era bom, sinal de que queria matematizar o que me rodeia! Eu fiquei feliz que alguém conseguisse fazer uma observação tão filosófica do meu psicótico pensamento prematuro!

E assim se passam os meus dias, como textos desconexos.
Com um sorriso a fazer a fotossíntese nos intervalos, com mais ou menos objectivos, com momentos que alimentam o resto da semana e com longos baloiços na rede ao entardecer.

Quinta-feira, Maio 18, 2006

Existe em mim um catavento

Sempre que acordo é o primeiro a que dou atenção, rodando suavemente sobre si e em mim. Tal como no exterior me diria donde vem o vento, aqui dentro indica-me por onde ir.
Gosto de lhe associar magia pois verdadeiramente é isso que sinto. Leva a minha vida duma imensa repetição preenchendo-lhe o vazio. Põe-me a mão no ombro e por momentos fala-me baixinho. Faz-me cócegas no pescoço com aquele sussurro e eu encolho o ombro enquanto sorrio trincando o lábio.
A mais pequena luz, nele se reflecte. Não tinha sentido indicar solitariamente. Aliás ele existe para encaminhar quem se dispõe a vê-lo (e ouvi-lo!)
E assim roda o meu catavento, pendurado no meu canto.

Não sei.. sinto-me motivada e vou trauteando o que me move!

Quinta-feira, Maio 11, 2006

Um ser complexo

"Diziam que decorava as palavras a dançar.
Quando compreendia o que lhe ensinavam franzia as sobrancelhas concentradamente, como se estivesse a apoderar de algum novo fio de conhecimento, enquanto se demorava a roer as unhas.
Um dia apanharam-na a ver o mar. Disfarçou a serenidade e gracejou estridentemente. Aquela visão infinita de azul é lhe eterna. Inalava aqueles raios de sol e ondulava-lhe o imaginário. Foi aí, que sem dar por isso, alguém se aproximou...
- Que bonito imaginário tens tu!
- Desculpa? err.. Obrigada! Mas porque dizes isso?
- Não sei.. Há um bocado que te observava e reparei como ao chegares perto do mar, te conseguiste desprender do teu real e voaste no teu imaginário com tal carinho que fiquei fascinado.
- Fascinado? ahah sim sim! ahm.. Eu não fiz nada. Eu só me sentei sozinha a ver o mar. Mas já nem nisso me consigo suceder.
- Não me digas que nunca te apercebeste..
- De quê?
- Que tens uma parte imaginária que abandona frequentemente a tua solução de vida real.
- Quer dizer.. sei lá, eu por vezes sinto como que o que me rodeia nesta realidade, não corresponde onde o meu pensamento vagueia. Mas isso é normalíssimo, e se o faço não é conscientemente. Sem eu dar conta, o meu.. Como lhe chamaste?
- Imaginário
- .. o meu imaginário desprende-se, até com bastante independência, basta eu apenas cheirar a maresia. Quando me quero vir embora fico horas a juntar os pedaços de memórias e penso sempre que não se volta a repetir, mas é exterior a mim.
- Genial.. Admiro como consegues ter uma soma tão perfeita da tua parte real e imaginária. Oscilas assim que... harmónicamente entre os dois estados e com amplitudes tão divinais. Não sei.. fizeste me sorrir..
- !! , não será harmoniosamente?
- Não percebeste..! Tu és um ser complexo! Com toda a beleza que o conceito implica.
- Eu, um ser complexo? Sim sim, eu sou normalíssima. Pessoas como eu encontras a pontapés. Não há um dia que eu não me sinta parte integral da banalidade.
- Dizes isso.. ok é a tua opinião, mas sendo complexa como és, nunca saberás como é passar uma vida inteira definido num domínio real. Gostaria de te puder mostrar um bocadinho que fosse desta vida de continua aplicação de dimensões para dimensões.
- Ohh mas as tuas dimensões são infinitas!
- Podem ser infintas, mas não deixam de ser reais.."
Fio de pensamento que paira pelo ar:
Quanto mais me empenho em algo, maior a expectativa, maior a queda. Tenho medo de falhar. Se falhar, seria apenas mais uma vez que o caminho percorrido não deu uma solução final correcta.
Mas vale sempre apena o esforço.. mais uma ponta do novelo por onde puxar.

Sábado, Maio 06, 2006

Para amnhã!

Para amnhã,
o A que ficou a descansar na rede manda saudades!



Invade a minha vida com um sopro de brisa e rebola nas nuvens ondulantes.
Enche a casa de retalhos de jornais perdidos numa calçada branca e negra.
Desenhos lindos, rabiscados no canto de um trabalho importante que deveria ter sido entregue ontem! Entregarei amanhã com o coração aos pulos, se o director não o aceitar
pelo menos saberei que hoje está perfeito e não ontem!
Amanhã será melhor!

Ciao bellissima!

Isto tudo a propósito de desvairos nas trocas de e-mails com a Dianofski (com F porque não sou capaz de ler os V's).

Quarta-feira, Maio 03, 2006

Chegámos ao fim da canção e páro um pouco para dormir


"Era uma vez, uma míuda que pouco mais conhecia que uma intensa paixão pelo mar.
A infância passou a correr, e quando deu por ela estava a partilhar a paixão secreta que tinha por certo rapazito a uma holandesa. Pelos festejos dos 30anos do 25Abril, recebeu um convite irrecusável para fazer umas regatinhas pelo algarve numa altura em que a sua performance velística ia decaindo exponencialmente. Ora não é que isto foi por onde tudo começou.
Uma prestação supreendentemente boa no tal campeonatozinho acabaria por proporcionar o drama à sua colega de barco. "A semana mais longa e difícil da minha vida" recitava ela quando se lembrava do dilema em que a pequena rapariga a tinha deixado. Acabou por optar por velejar com a miúda. Estavam então a acabar o 12ºano e no meio da escola que parecia passar a correr, também nos restantes campeonatos nacionais a motivação crescia.
O Nacional de Juniores e com ele as regatas que se lembrará para sempre. O Spi rasgado, a velaria do tonas, o jantar no CVA. Uma Póvoa que acumula boas recordações de campeonatos ao longo dos anos.
Tinha chegado o verão. Com ele os exames nacionais e a nortada num cascais que lhes sorria. O euro 2004 enchia as ruas de companheirismo. Depois os treinos sozinhas na guia, os arrotos ao largo, os treinos de resistência ao guincho, as pedaladas pela ciclovia. Tudo lhes corria com uma tal energia nas veias que julgavam não ter. No dia do último exames festejaram com vodka e mais não se lembram. Um estágio em Paço d'Arcos que pensaram não sobreviver.
Um mundial de juniores na Polónia: contavam histórias uma à outra para suportar o cacete que apanhavam, as waffles, a rádio Plus, as reuniões do Jim, o elevador do hotel, o Rayer, a meia branca do espanhol, o saboroso 6ºlugar. "O melhor campeonato de sempre" relembram elas, sempre que passam os olhos pelo passado conjunto.
O europeu absoluto na Croácia: as zangas, o livro de Herman Hesse que fazia a miuda chorar, a tanga do Zim, o Matija Longin, os pontapés durante a noite numa luta de espaço na cama de casal, os relâmpagos todas as noites, a derradeira conversa com o Alberto sobre o que viria a ser o nosso barco.
O europeu de Juniores na Irlanda: a viagem no meio daquela hóstil carrinha, a kizomba do Salvador, a ventoinha do Massa, os stands de carros em Munich, o Atomic em Bruxelas, o perfume na freeshop do ferry. A equipa italiana dentro da carrinha da federação portuguesa, com as miúdas a conduzir (sem carta) a saltar lombas e trespassar rotundas, o nevoeiro da melhor semana do ano de Dublin, os cozinhados do tio Xico, as licras cromas da HellyHansen, o hino de portugal na frota de prata, o Lollo, a tshirt justa do Vassilas.
Passou-se Setembro, Outubro,Novembro e com eles as costelas da miúda. Chegou Dezembro com o seu Nauti. Brilhava. Ou então era orgulho delas que tilintava ao ver um barquinho tão à sua medida.
Veio Fevereiro, onde a lista telefónica em Vilamoura ficou conhecida, e os choques começavam a acentuar-se. Chegou o primeiro campeonato e ganharam. Surpresas, continuaram. Para Espanha com a sanita avariada pelo Lacerda, strip canário e robin dos bosques.
França com kizomba nas bombas de gasolina (faziam os emigrantes terem vergonha de serem portugueses), regatas de madrugada, banheiras em contraplacado no meio dos quartos, os filmes do pessoal a dormir na carrinha e curtição do lusco fusco ao som do Dance Mania 99 "Solta o Bit!!" enunciava o Titó enquanto se partiam a rir.
Entretanto, de volta à terra natal, ganhariam outro campeonato absoluto. "12nós, cachão, e uma velocidade impressionante. E gamar, gamar, gamar como só nós sabemos!" dizia timidamente a miúda com um sorriso orgulhoso nos lábios, sobre tal campeonato.
Maio regressava quente. Tavira e as corridas na praia, as infinitas viragens de bordo na barra, o nosso ventinho à tarde, as sandes de atum, a calmaria de um algarve livre de turistas, com um vento quente e cheiro a vegetação rasteira. O nacional acabaria por ser mais uma razão de separação temporária. Não se falavam. Acabára o 2ºsemestre e os exames. Recomeçaram a treinar por compromisso ao clube e orgulho próprio. Assim se passou outro verão de treinos à tarde, saídas à noite e manhãs a dormir. Voltou o à vontade para falar. Fizeram do seu barco, um espaço conjunto de abordagem de temas, um confessionário.
Mundial Absoluto em França: a bricolage no seu Pátti, as regatinhas melhores que nunca, o tudo por tudo, os turcos psicóticos, o delicioso 7ºlugar, o futuro sem 420, a sensação de que nunca mais se veriam à frente.
A separação.
Um feliz em encontro em outubro para repartição dos pertences do barco. As saudades de fazer vela. O enfadonho que era a universidade sem o estatuto de alta competição.
Falaram então em fazer as regatinhas nacionais para irem ao Mundial nas Canárias descontraidamente, sem treinos nem compromissos.
A proposta.
Um futuro em aberto para a miúda e uma promessa de profissionalização para a sua leme.
E como lhe foi tão estranho ver então o "sem compromissos" tomar lugar.
Ver um fim tão suave e verdadeiro.
Inevitavelmente a melancolia apareceu."
À Pi, uma leme tranquilíssima.

Segunda-feira, Maio 01, 2006

Pintei-a de azul e passei a ter o mar

Lembro-me de como há cerca de um ano estar na varanda à conversa enquanto desafinava uns acordes tentando espairecer de tudo o que se queria passar ao mesmo tempo. Do médico estar mesmo por baixo aos sussuros com a minha mãe e já ela chorava e eu, não por não saber lidar com a situação mas por não querer sequer saber como lidar, abstinha-me no riso mas continuava descontraidamente e até dava uns acordes de um txa txa txa qualquer. Comigo na varanda estava alguém que me ajudava inconscientemente a refugiar-me de tudo aquilo. De como no dia seguinte eu corri da faculdade para chegar a estação e ter a minha mãe de braços abertos a chorar. De como no dia seguinte os integrais de Riemann me salvaram de ter que enfrentar a realidade. Era uma noite de verão. Continuo a dormir de janela aberta. Mas a varanda não a voltei a abrir. Um dia quando se proporcionar que o quarto se encha dos sons da noite. Felizes.

Estou por aqui, no meu mundo. É bom sentir que criamos um espaço personalizado, um habitáculo só nosso. Gosto de estar cá sozinha. É bom saber que um dia apareçe alguém que dá tanto valor e tem tanto prazer como nós em fazer parte de um bocadinho disto. Não prescindia destes momentos de quarto escuro, de música que toca no quarto vazio, de luz que ilumina um livro que ficou pousado na cama, do conforto que é observar tudo isto de fora, e de algo sorrir cá dentro. Por isto. Por isto ser nada. Por ser tanto para mim. Não sei.. isto faz permanentemente sentido em mim.
A noite lá fora está intacta. Não sinto diferença de temperatura entre o quarto e a janela aberta. Qual é o som da noite? Sabe tão bem estar à janela na noite de verão deserta.

Segunda-feira, Abril 24, 2006

Sinto-me...

Domingo, Abril 16, 2006

A estrada não tem fim, mas reparei no semáforo verde que não muda

"A estrada não tem fim, mas parei no semáforo verde que não muda de cor para amarelo depois para vermelho como seria de esperar. E fiquei ali a ver quando mudaria, ainda hoje estou à espera."

E lá estava eu hoje no quintal a tirar uma folha da árvore e a cheirá-la.. tinham-me dito que era a melhor solução para passar o dia sem que a tristeza esperasse do outro lado da janela. Soube me bem.. cheirava a fotossintese, cheirava a manhã de verão, cheirava ao branco, a incentivo, a real!!
Chegou-me.
Li e reli..
Li mais, li até ter que reler de não estar a pensar no que lia. Em frente ao mar, nada me soube melhor que ler. Ler a tarde inteira. Quando o sol bateu no vidro sem se difractar, decidi parar de percorrer os olhos pelo livro.
Ao lado, lá estavam plantadissimos infitos malmequeres a seguir o sol. Não resisti a fotografá-los na suas radiantes cores. Amarelos, roxos, brancos, verdes.. acotovelando-se uns aos outros a ver quem brilha mais.
Olhei demoradamente o mar e não fiz mais que acomodar-me naqueles raios de sol particulares.. adormeci e a brisa do mar continuava a envolver-me.. Sonhava.
Com o que se sonha quando nos sentimos felizes? Chegamos a sonhar ou basta-nos a calma respiração que nos mantém o coração a bater, o sangue a circular, e a consciência que estamos preenchidos naquele momento?
Acordei já o sol estava a abraçar o horizonte. O céu deixara de ser azul e enchia-se de comprimentos de ondas avermelhados preenchendo as nuvens que se aproximavam.
Voltei para casa.. mas que saboroso dia invulgar. Sozinha.

À Cat pela inspiração que emana

Quinta-feira, Abril 13, 2006

palavra depois de palavra

Estou triste..
Acordei e na rádio diziam.. "a banda sonora do paraíso: Sigur Rós portadores duma música inovadora através da imagem electrónica..." qualquer coisa do género. Para além de toda a incontinência verbal dos idiotas que falam na rádio, gostei muito desta. Aplica-se.
Demorei muito tempo a levantar-me. Meti as lentes à primeira. Demorei-me a apanhar o cabelo. Adormeci no comboio faltava uma estação para sair. Cheguei à faculdade e estava fechada. Estudei ao sol. Tentei ir almoçar. A cantina estava fechada. Hesitei no metro, não sabia onde ir. Apanhei o comboio e vi a foz do Tejo passar por mim. Almocei em Cascais. Apanhei o carro na estação. Cheguei a casa dei por mim em versão automática.

Esta música..

Just Like Heaven

'Show me, show me, show me
How you do that trick
The one that makes me scream,' she said
'The one that makes me laugh,' she said
And threw her arms around my neck
'Show me how you do it
And I promise you, I promise that
I'll run away with you
I'll run away with you...'

Spinning on that dizzy edge
I kissed her face and kissed her head
And dreamed of all the different ways
I had to make her glow
'Why are you so far away?' she said
'Why won't you ever know that I'm in love with you,
That I'm in love with you?'

You
Soft and only
You
Lost and lonely
You
Strange as angels
Dancing in the deepest oceans
Twisting in the water, you're just like a dream
Just like a dream

Daylight licked me into shape
I must have been asleep for days
And moving lips to breathe her name
I opened up my eyes
I found myself alone
Alone
Alone above a raging sea
That stole the only girl I loved
And drowned her deep inside of me

You
Soft and only
You
Lost and lonely
You
Just like heaven

(The Cure)

Domingo, Abril 09, 2006

Nada que acredite consegui mostrar pois é algo teu


Adoro o teu travo a tudo.. tão real!!
Não sei que cara fiz. Sou pouco transparente para o turbilhão de ideias que diariamente trespassam os labirintos da minha memória. Normalmente vêm sob forma de imagem, um pouco à semelhança dos caractéres. Não sei que faça às palavras. Gostava de as ordenar, de dar-tas com a mesma espontaneidade com que te vejo tão perto. Que saborosa simplicidade!

Cada um tem o seu sol (ou o seu fá!!) e o meu esteve lá

Everything, is everything
The more I talk about it, the less I do control.
Everything, means everything
Can't understand a word, half of the stuff I'm sayin.
(Phoenix)

Quarta-feira, Abril 05, 2006

Eu sou tão bom de amar
(Ornatos violeta)

Sábado, Abril 01, 2006

Sentaram o nada e o tanto na mesma mesa

O Tanto abriu o debate. Nada só o acusava de ser demais. Ele defendia-se nos direitos dos demasiados. A Indecisão, como moderadora que era, pouco fez para que a fronteira fosse imposta. Parece-me que o nada ganhou..

Começou a dar a nossa música, tão cheia de nada mas com tanto para recordar. Antes que pudesse começar a pensar e sequer sentir um pouco de nós, a música estava riscada e sabes como detesto ouvir músicas com interferências. Tirei o CD e limpei-o. Queria ouvir a música. Não, não era daí o problema, estava mesmo riscado. Nada que eu possa fazer... passei para música seguinte. Tentei entrar no meu japonês perfeito mas nada mais se fez ouvir que um surdo cerrar de dentes.

É esta resignação que faz parte dos meus dias. Definições já pouco sentido fazem. São gerais demais. E a minha singularidade vem de não saber, nem querer comparar nada. Ánalises são bloqueadores da mente. Condicionam-me o gesto.
Mas viver neste 'não sei de nada só sei que este é o presente e que para ali está o futuro' sem saber se o solo que piso ainda tem muito de passado ou não, aborrece-me.

Inovar, sem mudar. Um dia, há muitos anos mesmo, li um livro que basicamente era a história dum rapaz que pensava que se a personalidade das pessoas passa de dentro para fora e traduz-se em todos os seus modos, então também deveria passar de fora para dentro, assim se alterássemos o exterior passaríamos a ser pessoas diferentes. Não resultou, por mais que ele tentasse.

Não sei que pensar.. será que estou a beneficiar das defesas dos outros, que "são efeitos secundários da poesia?" .. Mas para quê pensar? Qualquer idiota é mais feliz na sua vidinha do "segue o da frente". Para onde? Não sabem, e se lhes perguntam pedem por escolha múltipla.

(Cheira a torradas..!)

Sexta-feira, Março 31, 2006


John Butler Trio
Estes senhores são Rauuuu todos os dias... e eu bem gritei para o geniozinho do contrabaixista... enfim... os concertos mexem com os neurónios de cada um...

Domingo, Março 26, 2006

O banco plantado

"- Vais sentar-te num banco, plantado no jardim?
- Sim!
- Um banco plantado num jardim… isso não existe… Tens a certeza que vais para o jardim… o jardim… e sentar-te num banco plantado no jardim?
- Já te disse que sim! Quero descansar um pouco. Importas-te?!
- Claro que não. O jardim… Já sinto o cheiro do jardim.
- Sentes?!
- Sinto! O cheiro das flores plantadas no jardim e também aquelas que não foram plantadas, essas às vezes, são as mais bonitas… O cheiro da alfazema e da rosa. O cheiro das túlipas. O cheiro da papoila. O cheiro das especiarias. O cheiro das margaridas e daquelas outras bem pequeninas com pétalas… com as pétalas mais suaves que alguma vez senti…
- Amanhã podes apresentar-me essas flores?
- Sabes qual é a minha flor preferida?
- Não!
- Tenta adivinhar. Faz um esforço.
- A rosa?
- Não! Sabes qual é a minha flor preferida?
- O cravo?
- Não!
- Qual é a tua flor preferida?
- Não sei… Acho que nunca a encontrei. Qual é a tua flor preferida? É aquela quase da cor do limão, que vem das nuvens, bem lá do cimo e que voa… voa…
- Hmmm… Acho que ainda tenho aqui uma semente, guardei caso fosse necessário. Vou plantá-la. O que achas?
- Vais plantá-la no meu coração?
- E porque não?! Vou plantá-la no teu coração!
- E quando ela crescer e for a mais belas das flores, há-de ser a minha flor preferida… aquela que ninguém vê!
- Eu irei vê-la! Eu já sei onde a procurar.
- Vou fazer um gelado de framboesa e vai cheirar a mar. Que te parece?
- Depois deixas-me provar?
- Faço uma taça para ti, com chantilly?
- E com bolacha por cima?!
- Está bem! E depois vou lá levar ao jardim, naquele sítio onde tens o banco plantado, vais estar lá sentado não vais?!
- À tua espera!"

por Catarina Fernandes
Este é só mais um maravilhoso pedacinho numa vida repleta deles.

Sexta-feira, Março 24, 2006

Por onde eu for..

Lambuzar-me a comer melancia
Andar descalça
Sentir o cabelo molhado na boca
Apertar pedrinhas planas nas mãos
Ficar na água até ter a pele enrugada
Adormecer por cansaço
O cheiro das baguinhas que caem dos eucaliptos
Trincar azedas
Papel em branco
Esquissos em carvão
Puffs
Sofia de mello breyner
Chá
Kandinsky
Livros antigos
Letras de músicas
Sol
Vento
O cheiro da pele no verão
Camas baixas
A linha do horizonte
Meter muitas uvas na boca e tentar mastigá-las sem que nenhuma salte fora
Física
Nuvens azuis
Cartas
Cachecóis
Sonhos como curtas metragens
Piano
Conjugação de cores
Canetas de tinta permanente
Expressões
Viajar
Roupa as riscas
Ver o vento abanar a tenda
Cantar numa casa vazia
Patagónia
Ver e ouvir tocar um instrumento só para mim
Abraços
Onomatopeias
Ficar com a respiração coordenada com os compassos na música clássica
Vibrar com a música
Colar a cara ao vidro e sentir o sol
Ter alguém orgulhoso de nós
Pendurar cerejas nas orelhas
Rir e fazer rir
Caracóis dos cabelos
Cumplicidade das irmãs
Conduzir no amanhecer
Luta pelos objectivos
Fotografias da infância
Os traços das costas
Dançar
Sushi
Sapatilhas de ballet
Discos de vinil
Aeroportos
Estar apaixonado
Conversas de "gaija"
Carrapateira
A subida até à superfície após um longo mergulho
Dormir agarrado a quem se gosta
Ficar rouca
Incenso
Sintonia de pensamentos
Livrarias
Músicas que acabam com a descida progressiva do som
Ecos
Telhados
Chorar sozinho a ouvir música
Flocos de aveia
Cenouras
A rádio renascença que vinha do quarto dos avós e os pães de leite naquelas manhãs
O jogo dos coelhos e do caçador com o Avó Rui e os bolos da Avó Lili
Andar as cavalitas do pai e cheirar-lhe o cabelo
Os relógios da flik flak
A inês a cantar o "Penélope costura junto aos molhes.."
A Via Láctea
As cassetes de Pink Floyd
A música celta na sala vazia dos fins de semana em casa do pai
A disputa do tetris
As construções de lego
Os idealismos surreais de amor nos filmes
Vela
Baloiços
Ver pintar quadros
As festas de anos com massa de atum, dormida e tostas mistas de manhã
O burro de um vendedor ambulante, em Paris, a comer o vestido às flores da Flor
As couves na testa quando estávamos doentes
O Quarto do Lado
Os cozinhados com a Catarina
Os amoladores de facas que passavam nas solarengas manhãs de quarta feira, com a sua flauta
Caixinhas de música

Terça-feira, Março 21, 2006

Os dias cinzentos têm esse duro dom de descansarem uma lupa sobre o que quer que nos doa peito adentro


Hoje começava a primavera..
Mas que primavera? Não a minha certamente.
Que palavra tão hipocritamente cheia de ternura e frio matinal.
De amendoeiras em flor e tarde quentes.
Que perda de poesia no seu falso aconchego.

Que venha o inverno e com ele a chuva.
Quero o som da chuva.
Quero o seu cheiro para me ajudar permanecer debaixo da nuvem.
Seria tão bom tê-la.
Ficar com os cabelos molhados e sentir o peso dos pensamentos.
Puderia então chorar que ninguém notaria.

Sinto-me desperdiçada com a indecisão do nada
Nem este vazio me chega...

Domingo, Março 19, 2006

Tinha a cor da luz que nela incidia

New love grows on trees

"o que eu for eu sou

sem ninguém"

Quarta-feira, Março 15, 2006

É a indução de um mundo cantado e filmado.

Um dia quis fotografar a música, mas ela não apareceu.
Dizia que não se queria revelar, que tinha medo do que puderiam pensar que estaria por trás da sua harmonia de acordes. De desiludir os que lhe dedicavam uma vida inteira. Preferia ficar inantigível na sua forma mais pura. Eu não insisti.

Lá estava eu, perdida na musicalidade. Faziam então sentido atitudes impulsivas. Pareciam quase artísticas com a subida do som mas na realidade conseguiam até ser bastante embaraçosas se apenas tirasse os headphones dos ouvidos.
Lia palavras que me envolviam e tracejados de cor que me tremiam os lábios. Tudo parecia se repercutir em mim.

Um vinil.. e deitada no chão ouvir o lento raspar da agulha no disco e toda essa espera pensada.

O amor é ambíguo e a música simplesmente se encarrega de nos trocar a razão.

Segunda-feira, Março 13, 2006

Já cheira a verão...

Sexta-feira, Março 10, 2006

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Fernando Pessoa

Terça-feira, Março 07, 2006


Cansados ficaram por ali. Tinham orgulho neles e como os laços permaneciam tão erradamente atados... Estavam sujos mas brilhavam. A cortina deixava antever outro dia

Love is no big truth

All I do is sleep all day, and think of you
A memory of the cushion life I'm clinging to
The image of a mutual one, our haven
The sombre chords of our song, the fading

Love is no big truth
Driven by our genes, we are simple selfish beings
A symphony that's you
Joyously awaking the ignorant and sleeping

Passion and its brother hate, they come and go
Could easily be made to stay for longer though
Many people play this game so willingly
Do I have to be like them, or be lonely?

Love is no big truth
Driven by our genes, we are simple selfish beings
A symphony that's you
Joyously awaking the ignorant and sleeping

I'll never need it again, not again, not again...

(Kings of Convenience)

E estes reis vêm cá.. dia 29 de Abril na Aula Magna

Queria de algum modo enquadrar este post, e em geral qualquer letra de música que cá deixo, pois sem o som o contexto perde-se.
Na verdade, tudo na vida faz sentido dentro de algum contexto. Fora dele, tudo é suspeito.

Mas não sei... É bom e triste. Faz sorrir e franzir as sobrancelhas. É música não só para os ouvidos.
É apenas mais uma música que um dia fez sentido ouvi-la e concordar com a cabeça.

Segunda-feira, Março 06, 2006

Sorri e Dança

A música invade
Fechar os olhos e fluir, fluir, fluir
O calor devora o ar e que bom...
Saltar, saltar, saltar
Agarrar, balançar
Sentir a roupa na pele
Abraçar
Os pés descalços
Brincar com a cara
Cair e rir, rir, rir

E nós?
Continuamos hibernados no momento
Espontaneidade e felicidade


Sorri e dança
Se fechar os olhos volta e existe

Sábado, Março 04, 2006

"Agarrava-se pelo momento. Agarrava-se por ela, pela ânsia de o ter tido noutras circunstâncias, sem pensar no motivo pelo qual ele também correspondia e a apertava em seus braços. Momento de menina..
Eternamente o quê?
Chora-lhe o coração.. e a ele? é quase impossivel de saber

Que sensação estranha.. em que estaria a pensar? Pensava que só nos filmes acontecia.. Pensou em não dizer nada, tinha partido e com ele levado todas as razões.

Não aguentara. Era bom e mau.
Era mau e muito bom ao mesmo tempo. Pensara que tudo isso tivesse estancado. Tinha regressado com uma tranquilidade quase real. E que diferente que fora. Que imensidão de cumplicidade e quente silêncio.

Ela não resiste a escrever e continua estragulando-lhe palavras. Que vómito lhe provoca todo esse discurso pensado. Nunca ela saberá.."


We all have a map of the piano

Please don't flow so fast
You little mountain hum
I'll take a bottle down to you

Please don't flow this fast
You hold a little hum
I'll bottow sounds of me for you

Please don't flow so fast
You little mountain din
I'll bottle piano sounds from you

Please don't flow so fast
You little mountain noise
I'll close my eyes and play your tune

(Múm)

Quarta-feira, Março 01, 2006

Full is not heavy as empty, not nearly, my love

Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

Monegasca


Existe outro mar lá em baixo. É igual mas diferente..
Cheira diferente, sinto-o diferente. Não.. definitivamente não são as mesmas gotas de água às quais me familiarizei.
Mas estas... acaloram-me. Que bom!!

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006

permaneceram flores..

Ascenseur

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

I'd rather dance with you

I'd rather dance with you than talk with you
So why don't we just move into the other room
There's space for us to shake, and hey, I like this tune

Even if I could hear what you said
I doubt my reply would be interesting for you to hear
Because I haven't read a single book all year
And the only film I saw, I didn't like it at all

I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you

The music's too loud and the noise from the crowd
Increases the chance of misinterpretation

So let your hips do the talking
I'll make you laugh by acting like the guy who sings
And you'll make me smile by really getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing

I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you

I'd rather dance with you

(Kings of Convenience)

se carregarem no titulo... voilá!

Domingo, Fevereiro 19, 2006

"There's the moon asking to stay Long enough for the clouds to fly me away"


Hoje encontrei CDs que andavam perdidos e abandonados já alguns anos pelos confins da desarrumação, e que boa surpresa... encontrei um cd quase novinho e intacto... foi tão bom... Myster white boy de Jeff Buckley. São muitas as preciosidades deixadas esquecidas por alguém que viveu nesta casa e não se dispôs a ficar. Quase com o mesmo sorriso de criança a receber um rebuçado com um embrulho brilhante e vistoso, estava eu sentada no chão agarrando contra mim tal achado e quase instintivamente saltei para o ouvir e reouvir todo de uma pontinha a outra e que bom... já nem me interessa como algum dia este cd entrou nesta casa, mas sim a harmonia que vem dessa rede de difracção compacta ahhhhh
Ouço-lhe a respiração entre as linhas e eu a balançar me nele

Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006

Se eu me rir depois disto..

Nenhum.. Nenhum rolo fotográfico consegue fazer o seu percurso normal, desde rolozinho até se transformar em muitas fotografiazinhas, nas minhas mãos. E não me venham com tretas de "Evolui! Compra digital!" não me basta..! Mas arghhhhh não consigo ter uma boa relação com máquinas fotográficas que impliquem cuidadinho. Eu acarinho-as levo-as para todo o lado e nada!! Sempre! Sempre rolos inteiros extraviados bahhhhhh
Isto tudo para dizer que o Mónaco foi.. digamos que.. girinho vá lá. Não consigo chegar a um acordo tendo em conta que tanto gramei com pessoas arrogantes e detestáveis e zonas puramente turisticas (género a terrivel Vilamoura) como me deliciei com os croissants e ruinhas lindas cheias de contrastes de cor e portadas cor de mar. (sim tais recordações estavam nesse império de rolo fotográfico que se revoltou contra o uso abusivo que lhe dei). Ora muito bem... é o seguinte... a Côte d'Azur é muito bonita enquanto recortes terrestres ao mar e ravinas cobertas de vegetação mas o que a civilização lhe acrescentou certamente alegra o tipico Americano burro (se é que os há sem esta última caracteristica) que procura uma cólonia balnear na Europa.
Enfim... mais coisas a notar: o típico emigrante português em França que consegue ser quase tão mau como o Americano, a permanente chulisse de que se é alvo por aqueles lados e de como as cadeiras do Aeroporto de Nice (frança) conseguem ser tão desconfortáveis.
ahhh e um grande bem haja à Florentina, assim intitulada a boneca de cartão que nos ficou a vigiar as malas durante o atormentado sono.
Mas sim, é a viajar que se pode opinar e se umas vezes acertamos nos destinos noutras não!

Meus caros quase inexistentes leitores, deixo o pedido de desculpa para com alguma eventual ofensa pessoal, certamente haverá excepções mas a generalização não pode ser condenada. Ela está em todo lado..

Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006

A Forma Feminina


Que formas são essas tão delimitadas, que exímia beleza. Que audaz parecer pudemos nós pronunciar perante tais traços de um ser?

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

Sobra sempre um dia para nos rendermos a estar Lamentavelmente num só corpo

(Bem vindo a ti ..)

" ...
I think I'm drowning
Asphyxiated
I want to break the spell
That you've created
..
Our time is running out..."

saltar saltar saltar saltar

Muse.. Que bom. Para além de ter imensa vontade de postar não consigo.. sim, porque este post é apenas um holograma.

Pedem-se sugestões em português

"Esquece a palavra
Qualquer coisa é só mais uma razão
Quando o que eu quero é perder a noção da noção"

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

Coimbra aos Domingos

Poderia escrever algo do género "Lisboa que amanhece" mas pareceu-me mais uma Coimbra que entardecia e ao som desses passos por ruas empedradas se passou a minha tarde passeando sozinha por becos e travessas de palácios confusos, juro que havia uma com este nome, de máquina na mão tentando fazer jus à beleza intrinseca da cidade. Andei muito devagarinho.. logo eu que sou uma stressada a andar sempre. mas soube tão bem fazer tudo com tempo ou mesmo o nada que fiz. Engraçado.. consegui passear horas a fio apenas cruzando-me com meia duzia de pessoas. Coimbra fica deserta aos domingos nada está aberto não se vê ninguém.. é a personificação daquelas cidades fantasma que medrosamente constatavamos nos filmes do Faroeste em que do nada, aparecia sempre algum mexicano pronunciando qualquer coisa em espanhol que certamente seria algo de muito ordinário porque acabava no chão com dois balazios na testa e um americano vitorioso por cima. Se calhar não eram assim e já estou apenas a confundir essa cultura anglosaxonica que nos sufoca nessas frequencias televisivas. ahhh Coimbra sim.. isto tudo para dizer que.. ahm.. err.. ahhh que foi bonito, aliás digamos que soube a filme e se há coisa que qualquer pessoa anseia, é algum dia se sentir tão realizada como as personagens nos filmes parecem estar quando entra a música final e tudo bate tão certo e harmoniosamente. Dá vontade de ter amor e senti-lo mais perto sem todos os enlances, esperas, vergonhas. Frente a frente. E agora veio-me à memória o final do "Cem anos de Solidão" de Gabriel Garcia Marquez, que traz uma magia naquela vida.. e era mesmo essa imagem que queria invocar, de momento único em que o vento rodopia a volta e passamos a ser o centro desse furacão que eleva tudo a sua passagem. Sim... parece a descrição do amor para uma menina com laços de cetim no cabelo mas não resisto a deixar-me levar pelo inevitavel pensamento feminino precoce.
Entretanto por todo o Portugal nevou, mas o microclima dos meus pensamentos fez com que Coimbra fosse iluminada por um Sol radiante que se pôs sem nenhum sinal de neve.

Não posso deixar de recordar como me apaixonei por uma cena do "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" em que eles acordam na praia e a praia está coberta de neve e é um inverno lindo. Quero saltar para lá para dentro! Quero lá saber que para além do ecrã só encontre um disparador de fotões com o mesmo principio de um oscilóscópio! bah...

Sexta-feira, Janeiro 27, 2006

Suddenly I See


Adoro essas músicas que nos tiram as palavras quando as queremos descrever com o mesmo entusiasmo que as sentimos. Que palpitam algures em nós, em pedaços que raramente solicitados no sentir, nos mostram que sempre esteve lá alguém a cantar para nós, faltava-nos era a chave.

.. música música música música música música música música música música música música música música música música música música música música ...

Dizem que se pronunciarmos muitas vezes a mesma palavra ela perde o significado. A Música, para mim? Não perde. Não por tê-la escrito ou pensado num número finito de vezes mas sim porque ele me traz essa chave para este mundo de sensações.
E ela existe..!

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

Ângulos, Sentidos e Direcções


Meras quimeras passeiam-se pelo meu quarto. Sento-me no canto. Como adoro essas esquinas invertidas que juntamente com o tecto formam vértices, com cor, eterna perfeição dos sólidos. Consigo ficar horas a olhar pelos diferentes ângulos, é como se permanentemente tirasse fotos mentais desses espaços, e os sonhos, esses vão me puxando pelos cabelos querendo me retirar tal beleza oculta na banal arquitectura de um quarto com irregularidades que em forma de janelas me mostram o exterior.
Ui, que medo e que conforto.
Li essa página do teu livro onde estava o marcador.
Sustenho-me tantas vezes do lado de fora a olhar para ele, por essa porta entreaberta. Como o tornei tão meu, meu olhar. Como é azul no seu limiar de vidro e tão mexicanamente amarelo quando a luz branca o invade. É artistico. Tão artístico como saber que no escuro nada disso importa e tudo é negro. Os átomos esses mantêm-se unidos continuando a dar forma ao estirador que estrategicamente me preenche. Apesar das minhas estrelas continuarem a brilhar de noite. Para que servem? Para abrigar os sonhos e me permitir chegar a porta sem encontrar obstáculos. Mesmo sabendo que nada pode correr mal vou devagarinho fazendo de conta.

Sábado, Janeiro 21, 2006

Que pais?


Apartir de que momento nas nossas vidas deixamos de partilhar a nossa vida com os pais? Lembro me de ser pequenina e contar a minha atarefada vida do infantário e o que eu tinha ou não dito ao Gui quando ele me confessou o seu amor, ou como tinha tão respondido brilhantemente à pergunta da professora do básico, ou como aquele colega de carteira que ia com o pijama para escola me irritava. Quando? Quando deixamos de os considerar amigos e confidentes na sua posição de pais e passamos a considera-los como meros humanos que habitam a mesma casa. Como pessoas por quem nos preocupamos mas querendo que se mantenham calados e lidem com todos os nossos caprichos na condição de jovens?
Irrita-me, irritar-me com eles. Irrita-me como estão sempre a tentar chamar as atenções tão desgraçadamente e também a sua intenção de nos magoar quando puxados ao limite da paciência. Aí esquecem-se que são pais e passam a ser meros adultos prepotentes. Irrita-me sim como esperamos semanas a fio que nos telefonem para um almoço e que nem se dão conta de como nos fazem sentir que não importamos. Irrita-me essa base de senso comum em que se apoiam para nos governarem e aconselharem, que ingénuos!!!

Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

Só tinha de ser com você

É, só eu sei quanto amor eu guardei
Sem saber que era só pra você

É, só tinha de ser com você
Havia de ser pra você
Senão era mais uma dor
Senão não seria o amor

Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
Porque ninguém deu pra você
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você

É, você que é feito de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonito demais

Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim

(Tom Jobim e Aloysio de Oliveira)

Terça-feira, Janeiro 17, 2006

Sábado, Janeiro 14, 2006

Hoje terminei de hibernar. Voltou a ser me permitido sentir, olhar para fora, sair de mim e vaguear… Divagar. Posso voltar a esse ritual de vida e pensar. Sonhar.

Sábado, Dezembro 31, 2005

Seven Days in Sunny June


o meu último post de 2005... e a minha última fotografia se é que isso significa alguma coisa! E a música do meu mês! Vamos?

The pebbles you've arranged
In the sand, they're strange
They speak to me like constellations
As we lie here
There's a magic I can hold
Your smile of honey gold
And that you never seem to be in short supply of

Oooh, so baby let's get it on
Drinking wine and killing time
Sitting in the summer sun
You know I've wanted you so long
Why do you have to
Drop that bomb on me?

Lazy days, crazy dolls
You said we've been friends too long
Seven days in sunny June
We're long enough to bloom
The flowers on the summer dress you wore in spring
The way we laghed as one
And then you dropped the bomb
That I've known you too long
For us to have that thing

Could it be this?
The stories in your eyes
Tell of silent wings
You'll fly away on

Seven days in June
We're long enough bloom
The flowers on that sunbeam dress you wore in spring
Yeah,yeah, the way we laughed as one
Why did you drop that bomb on me?

Could it be this?
The honeysuckle blessings you seem to show me
Could it be this?
For seven days in June I wasn't lonely
Could it be this?
You never gave me time to say I love you
Could it be this?
I know you don't believe me but it's so true

Don't you walk away from me girl
I read the stories in your eyes
Don't you walk away from me
I read the stories in your eyes
And you've been telling me
We've been friends too long
Why do you want to drop the bomb?
Telling me
We've been friends too long
Why do you want to drop the bomb?
You tell me we've been friends for too long, yeah
I think I love you
I think I love you
Why do you want to drop tha bomb?

(Jamiroquai)

Quinta-feira, Dezembro 29, 2005

Hoje voltei a olhar o mar.... há quanto tempo não te via...!
ahhh e esse cheiro... Não consigo transmitir essa beleza que transbordas quando o sol incide sobre nós. Adormecia nesse sorriso..

Terça-feira, Dezembro 27, 2005

Poema 20

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela..
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis
Minha voz procurava o vento
para tocar seu o ouvido.
Se outro. Será de outro.
Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.
É tão curto o amor, e é tão longe o esquecimento.
Porque em noites como esta
eu a tive entre os meus braços,
minha alma não se contenta com tê-la perdido
ainda que esta seja a última dor
que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda

Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

Dormia.. tinha uma mão em mim. Tentei-a afastar, bati-lhe com força a ver se deslargava os meus cabelos. Finalmente depois de tanto rebolar consegui perceber que era a minha própria e que apenas estava dormente ao ponto de não a sentir.

Continuo a dormir de porta fechada..

Sábado, Dezembro 24, 2005

Na véspera de não partir nunca



Na véspera de não partir nunca
Ao menos não há que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel,
Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,
Para o partir ainda livre do dia seguinte.
Não há que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.
Grande sossego de já não haver sequer de que ter sossego!
Grande tranqüilidade a que nem sabe encolher ombros
Por isto tudo, ter pensado o tudo
É o ter chegado deliberadamente a nada.
Grande alegria de não ter precisão de ser alegre,
Como uma oportunidade virada do avesso.
Há quantas vezes vivo
A vida vegetativa do pensamento!
Todos os dias sine linea
Sossego, sim, sossego...
Grande tranqüilidade...
Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!
Que prazer olhar para as malas fítando como para nada!
Dormita, alma, dormita!
Aproveita, dormita!
Dormita!
É pouco o tempo que tens! Dormita!
É a véspera de não partir nunca!

Álvaro de campos
(música interpretada por Margarida Pinto)

Sexta-feira, Dezembro 23, 2005


É mesmo para isto. Para escrever.
Estar a tentar dormir e ter vontade de escrever.
Quase nunca a felicidade deu vontade de alguma forma de expressão aos artistas. Só necessita dessa arma quem experimenta momentos menos bons.
É algo que flui, mais a uns que a outros. Não serve de nada falar dos nossos problemas se não for a alguém que nos ajude a resolvê-los, ou se nos pedirem por explicações por determinado comportamento. Fora disso, para quê expor-nos? Para ficarem com pena de nós? Não obrigado, não precisamos que nos dramatizem a vida. para isso já existe o nosso inconsciente a fazê-lo quando de já tão cansados nos rende-mos. É apenas a nossa vida. Real. Não têm que tentar enfeitá-la, nós já nos habituá-mos. Agora vai...

Terça-feira, Dezembro 20, 2005


Alguém que não queira passar o natal em casa? Só queria um sítio para estar sem ser ali no meio, onde as piores recordações voltam.

Segunda-feira, Dezembro 19, 2005

O teste das Ondas

Estou farta
Estou farta de falar de mim,
De ti, de nós

Sim, porque
Eu sou tu
E tu és eu
Só que apenas transladados
No tempo e no espaço

Não era precisa essa entropia!

Tal como dois desenhos
Num balão vazio, se separam
Quando ele está cheio,

Também o espaço aumentou entre nós
Sem nos afastar-mos
Essas bolhas de sabão foram rebentando
Já não reflectiam o visível,
Quando a sua espessura se tornava tão frágil

A distância focal aumentou
Vi-me invertida nesse espaço virtual
Também te vi,
Atrás do espelho

Deixa-me!
Quero ficar aqui.
Debaixo de água,
Só consigo ver por esse ângulo crítico
Quais soluções?
Não me dizem nada

Afinal,
Eu já não sou tu
E tu?
Pouco mais me interessa

Quero sair sem me entregar
São só desenhos,
Que procuras mais?

Domingo, Dezembro 18, 2005

A cara mais triste


Tento ser imparcial, deixar-me levar por essas ruas de música e risos. Ali no meio tudo parece mais quentinho já que a noite tende em cair sempre a mesma, fria, real. Não consigo deixar de reparar na cara mais triste.., simplesmente as peças do puzzle lhe caiem aos pés e permanece na imobilidade dos sentidos. Agora é apenas um vazio que se apresenta com palavras monocórdicas. Continuemos...

Sexta-feira, Dezembro 16, 2005

Caring Is Creepy

I think I'll go home and mull this over
Before I cram it down my throat
At long last it's crashed, its colossal mass
Has broken up into bits in my moat

Lift the mattress off the floor
Walk the cramps off
Go meander in the cold
Hail to your dark skin
Hiding the fact you're dead again
Underneath the powerlines seeking shade
Far above our heads are the icy heights that contain all reason

It's a luscious mix of words and tricks
That let us bet when you know we should fold
On rocks I dreamt of where we'd stepped
And of the whole mess of roads we're now on

Hold your glass up, hold it in
Never betray the way you've always known it is
One day I'll be wondering how
I got so old just wondering how
I never got cold wearing nothing in the snow

This is way beyond my remote concern
Of being condescending

All these squawking birds won't quit
Building nothing, laying bricks

Hold you glass up, hold it in
Never betray the way you've always known it is
One day I'll be wondering how
I got so old just wondering how
I never got cold wearing nothing in the snow

This is way beyond my remote concern
Of being condescending

All these squawking birds won't quit
Building nothing, laying bricks

(The Shins)

Sábado, Dezembro 10, 2005

A crónica feminina de Matilde

Momentos de luz apagada, que metam frases do género: “Sabes o que deve ser mesmo bom? Fazer amor contigo!”, “ahh e tal ‘bora ali para trás?”. Ela ri-se no seu esplendor de sorriso desencadeando um processo acção reacção, pensando: “fogo este rapaz está parvo, só pode!! Vou inventar que vou a casa de banho e sei lá, tentar a janela. Hmmm não. Isso é demasiado previsível.” Para casos de emergência, tem uma velha combinação com a sua melhor amiga que é simplesmente genial e definitivamente a mais adequada para o cenário presente: a amiga sabe que ela vai sair com o tal “engate”, por isso basta apenas dar um toque que ela liga fingindo ser a mãe a dizer que precisa dela urgentemente em casa ou sei lá que o cão morreu (uma cara séria e um pouco de fatalismo ficam sempre bem). Menos embaraçoso, mas não menos importante, é tipo de engate com quem ela quase nunca está, que está sempre a mandar mensagens e a contrair grandes feitos via telemovelística, dizendo sempre que é tudo na brincadeira mas que a deixa sempre a pensar: ”tenho a certeza que isto não era no gozo, mas pronto”.
Basicamente, penso que é um pouco o conceito de “Date” que nos falta. Mais à vontade no sentido de se combinar coisas com amigos e ser tudo tranquilo sem “second thoughts”, sem ter que ouvir respostas do género “pa… é que eu agora tenho namorada” arghhh!!! Não era nada disso mas enfim…

Quinta-feira, Dezembro 08, 2005

é ela ... Matilde

Matilde não gosta de ouvir rádio com interferências e que a interrompam enquanto está a ouvir uma música que gosta. Não gosta de sentar-se na sanita e o tampo estar congelado. Não gosta da maneira como as pessoas se empurram para serem sempre as primeiras a entrar no metro ou quando está tanto frio e ela tem que vestir tanta roupa que parece o boneco da michellin. Detesta a maneira como a voz fica tremida e fininha quando está prestes a chorar. Detesta desiludir as pessoas de quem se importa e ver filmes que metam pedaços do corpo a voar. Detesta a maneira como quase cospe os pulmões só de pensar na corrida que tem que fazer para apanhar o comboio e gastar dinheiro a responder a mensagens de natal de pessoas com quem nunca fala. Detesta de estar nas imediações de alguém de quem não gosta e de lavar a loiça. Não gosta de como se sente depois de ficar 5horas agarrada ao computador sem razão alguma. E principalmente não gosta de condutores dos transportes públicos.

Mas Matilde apesar de detestar as coisas mais indiferentes, gosta de cair a dormir quando está mesmo cansada, gosta que de olhar para tudo imaginando sempre uma banda sonora nos seus ouvidos, gosta de sentir o carinho contido nos beijinhos no pescoço. Gosta da água do mar e ficar horas dentro de água. No Inverno, de andar descalça na praia até deixar de sentir os dedos. De passear de cabelo solto com muito vento. Gosta de olhar os cabos de alta tensão e enquanto os outros convidam os amigos para um jantar ela convida-os para a acompanhar no passeio do cão. Gosta de músicas que lhe façam remeter para uma certa época que nem ela viveu e imaginar como as pessoas a viviam nessa altura. Gosta de dançar, ver até que limites do movimento se consegue exprimir. Gosta de ter conversas de “gaija” e rir desenfreadamente e ter amigos “gaijo” para poder comentar como é bom “cagar” e opinar sobre o “pandeiro” daquela miúda por quem muito eles se interessam.

E esta é a Matilde que vos vou apresentando aos poucos. Vão gostar. Ela é uma personagem e tal!

Domingo, Dezembro 04, 2005

Nos neurónios de Matilde

“Ok, foi estúpida aquela mensagem, seriamente parvónica e despropositada, mas como qualquer ser humano não me contive na emoção de dizer sim à impulsão momentanêa do “Enviar!” e rapidamente se desvanece após a comprovação “Mensagem Enviada!” automaticamente “arghhh!!! Que vergonha!!”” - Pensou ela, enquanto, rebolando, tentava encontrar uma parte da cama que se encontrasse fria, já que não conseguia mudar a temperatura do ar condicionado que tinha decido avariar nos trópicos, à modesta temperatura de 27ºC.
“Esta continua retenção da verdadeira razão pela qual me lembro de ti. Sim foi uma música, mas não só ela. Também o quarto. Não sei… tenho esta tendência para te imaginar a preencher qualquer quarto vazio em que entro e em que minha fútil presença não se faz sentir, nunca chega. O que sinto mais falta em quartos que habito, que não o meu, é a presença da música. Não é o mesmo que ouvir pelos headphones. Quero música alta. Ajuda a encher o quarto e distrai-me. Gosto de me sentir naquelas camas vazias, é o cenário perfeito para me lembrar e pensar sobre essas pessoas que não nos deixam dormir, agarrando-nos os pensamentos de areia que há muito voaram. Só queria adormecer…” e conseguiria adormecer a miúda, bem mais tarde quando descobriu como a janela funcionava.

Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Com um brilhozinho nos olhos..

ahhhhhhhhhh mais outra música esplendida do grande amigo Sérgio Godinho
(e com que bonita voz que estou, não há voz mais sexy que uma voz rouca, a não ser quando começa a falhar e parecemos que nos estamos a preparar para um fadinho daqueles cheios de aisssssssssss!!)

Com um brilhozinho nos olhos

Com um brilhozinho nos olhos
e saia dourada escancaraste a porta do bar
trazias o cabelo aos ombros
passeando de cá para lá
como as ondas do mar.
Conheço tão bem esses olhos
e nunca me engano,
o que é que aconteceu, diz lá
é que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa
no mundo não há
é que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa
no mundo não há.

Com um brilhozinho nos olhos
metemos o carro
muito à frente, muito à frente dos bois
ou seja, fizemos promessas
trocamos retratos
traçamos projectos os dois
trocamos de roupa, trocamos de corpo,
trocamos de beijos, tão bom, é tão bom
e com um brilhozinho nos olhos
tocamos guitarras
p'lo menos a julgar pelo som
brilhozinho nos olhos
tocamos guitarras
p'lo menos a julgar pelo som

O que é que foi que ele disse?
E o que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco.
passa aí mais um bocadinho
que estou quase a ficar rouco
Hoje soube-me a tanto
portanto,
Hoje soube-me a pouco

Com um brilhozinho nos olhos
corremos os estores
pusemos a rádio no "on"
acendemos a já costumeira
velinha de igreja
pusemos no "off" o telefone
e olha, que dá p'ra contar
eu sei que tu sabes
daquilo que sabes que eu sei
com um brilhozinho nos olhos
ficamos parados
depois do que não te conte
ibrilhozinho nos olhos
ficamos parados
depois do que não te contei

Com um brilhozinho nos olhos
dissemos, sei lá
tudo o que nos caiu no goto
estilo: és o "number one"
dou-te vinte valores
és um seis do meu totoloto
e às duas por três
bebemos um copo
fizemos o quatro e pintámos o sete
com um brilhozinho nos olhos
ficamos imóveis
a dar uma de "tête a tête"
brilhozinho nos olhos
ficamos imóveis
a dar uma de "tête a tête"

O que é que foi que ele disse?
E o que é que foi que ele disse?
Hoje soube-me a pouco.
passa aí mais um bocadinho
que estou quase a ficar rouco
Hoje soube-me a tanto
portanto,
Hoje soube-me a pouco

(Sérgio Godinho)