Parto.
Parto outra vez.
Sei que voltarei a partir e a partir vezes sem conta. E isso perverte a minha vontade.
Aeroportos. Pessoas. Cidades inteiras que passam pelos meus olhos. Sempre a mesma rotina. Sítios novos, sítios velhos. A mesma vontade de descoberta, a mesma vontade de conhecer, passear, aproveitar. A mesma indiferença e a vontade de voltar rápido.
Regresso. Regresso a casa sempre mais sozinha do que fui. Já não sei se é do que vejo, do que vivo ou da solidão que me assola sempre que parto. Ninguém me espera. Entro dentro de Lisboa e do que sou.
Parto e regresso sempre diferente.
Parto com vontades, com vida. Regresso dormente, desconectada.
Quero combater-me.
Quero viver.
Quero que esperem por mim.
Quero trazer-te o coração cheio de histórias para contar. Sintonizados.
Quero conseguir aproveitar sem sentir que o que sempre procurei está a acontecer e estou com a cabeça em lado nenhum.
Amanhã parto. E tudo será diferente.
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